Eleições 2026: o que os candidatos propõem para a Educação?

Criança numa carteira escolar olha sorridente para a câmera, com uma caneta na mão, escrevendo em um caderno
Legenda da foto, Educação ocupa sétimo lugar no ranking de preocupações dos brasileiros
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A campanha eleitoral de 2026 começou oficialmente no dia 16 de agosto, com 13 candidatos na disputa pela Presidência da República.

No ranking de preocupações dos brasileiros, a educação ocupava o sétimo lugar em uma lista de quase 20 temas, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos. O levantamento foi realizado em março de 2026.

Já a qualidade da educação no país é avaliada como "boa" por apenas 28% dos brasileiros, segundo outra pesquisa do mesmo instituto. É um índice inferior à média global de 34%.

Neste cenário, a BBC News Brasil levantou quais são as principais propostas e posicionamentos de todos os candidatos para a educação.

Elas foram levantadas a partir dos programas divulgados pelas campanhas e também a partir de declarações públicas feitas em eventos, entrevistas, transmissões ao vivo pela internet, postagens em redes sociais, dentre outros.

Adolescente sentado em uma cadeira escolar assistindo a uma aula em escola cívico-militar

Crédito, SERGIO LIMA/AFP via Getty Images

Legenda da foto, Ampliação ou fim das escolas cívico-militares é tema de propostas de candidatos

Até agora, disputam a Presidência, em ordem alfabética: Augusto Cury (Avante), Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Flávio Bolsonaro (PL), Hertz Dias (PSTU), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pablo Marçal (PRTB), Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP) e Wilson Grassi (Democrata).

Apesar de estar inelegível até 2032, Pablo Marçal (PRTB) teve a candidatura protocolada pelo partido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no último dia possível. Agora, cabe ao TSE analisar se o registro da candidatura será aprovado.

Confira abaixo as principais propostas dos candidatos para a Educação.

Augusto Cury (Avante)
  • Criar escolas voltadas à formação de empreendedores desde a educação básica;
  • Expansão do ensino técnico e profissionalizante;
  • Escola de tempo integral com aulas de oratória, teatro, educação financeira, cooperativismo e empreendedorismo;
  • Reforma do Ensino Médio com inclusão de disciplinas como gestão da emoção, educação financeira e inteligência artificial;
  • Capacitação de professores para acolher estudantes com autismo, TDAH, dislexia e altas habilidades;
  • Implementação de programas de gestão da emoção, prevenção da ansiedade, depressão, automutilação, bullying e violência escolar;
  • Criação de startups nas universidades.
Clariana Barão (DC)
  • Melhorar a qualidade da educação infantil e apoiar o desenvolvimento das crianças e suas famílias;
  • Valorizar professores com formação, carreira, liderança escolar e apoio pedagógico;
  • Ampliar o uso responsável de tecnologia e IA nas escolas;
  • Expandir a formação técnica, a orientação de carreira e a aprendizagem profissional no ensino médio.
Edmilson Costa (PCB)
  • Estatizar o ensino privado;
  • Entrega de um computador para cada estudante matriculado na rede pública de ensino em todos os níveis;
  • Fim do vestibular e ampliação das cotas em 54% para pretos e pardos, 70% a 80% para estudantes de escolas públicas e cotas universais para a população trans;
  • Promover valorização dos professores;
  • Fim das unidades cívico-militares de ensino básico.
Flávio Bolsonaro (PL)
  • Ampliar a oferta de creches em período integral;
  • Implementar o Programa Acolher: aluno de melhor desempenho é remunerado para dar aulas de reforço;
  • Implementar alfabetização via método fônico;
  • Ampliar escolas cívico-militares;
  • Levar robótica, computadores, tablets e internet para escolas;
  • Criar "voucher" para escolas particulares em locais em que faltam vagas em escolas públicas;
  • Implementar Política Nacional de Formação de Talentos, para ensinar profissões do futuro;
  • Pagar instituições de ensino que formam profissionais "que o país precisa";
  • Criar empréstimo contingente à renda para ensino superior; o estudante começa a pagar a dívida após a formatura;
  • Implementar Programa Escola de Campeões, parcerias público-privadas para levar o esporte competitivo às escolas.
Hertz Dias (PSTU)
  • Proibir o repasse de verba pública para grandes empresários da educação;
  • Acabar com as parcerias público-privadas (PPPs), terceirizações e compras de empresas privadas pelas redes públicas;
  • Revogar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Novo Ensino Médio;
  • Fim da militarização e da plataformização da educação nas escolas públicas;
  • Criar mais vagas em creches, escolas e universidades.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
  • Cumprir a meta de 80% das crianças alfabetizadas na idade adequada;
  • Expandir a rede de Institutos Federais;
  • Assegurar o acesso universal à Educação Infantil de qualidade;
  • Ampliar a atratividade e promover a permanência no Ensino Médio, com expansão do Ensino Técnico-Profissionalizante;
  • Expandir a Educação Básica pública em tempo integral;
  • Promover qualificação profissional e formação continuada no mercado de trabalho;
  • Incluir novas línguas no MEC Idiomas.
Pablo Marçal (PRTB)
  • Ensino de empreendedorismo e educação financeira desde o ensino fundamental;
  • Fortalecer ensino de computação e inteligência artificial nas escolas;
  • Garantir a alfabetização plena até o 2º ano;
  • Bolsa de estudo para engenharia, ciências, matemática e TIC;
  • Criar programa de formação para superdotados;
  • Criação de programa de bonificação para alunos da rede pública;
  • Programa de alfabetização precoce, que visa estimular o desenvolvimento cognitivo da criança.
Renan Santos (Missão)
  • Implementar o método fônico de alfabetização;
  • Acabar com as cotas e substituí-las por bolsas para alunos que se destacam academicamente; redirecionar recursos públicos do ensino superior para a educação básica;
  • Promover uma reeducação ampla da sociedade, dentro e fora do ambiente escolar, para impor a cultura da direita;
  • Implementar escolas militares ou cívico-militares que ofereçam disciplina e "exemplo masculino para jovens em situação de vulnerabilidade, especialmente aqueles sem figura paterna";
  • Apoiar a regularização do homeschooling;
  • Revisar o piso salarial de professores.
Ronaldo Caiado (PSD)
  • Garantir alfabetização e domínio de fundamentos matemáticos de todas as crianças até o final do 2º ano do ensino fundamental;
  • Universalizar pré-escola e ampliar creches prioritariamente para famílias vulneráveis e territórios com baixa oferta;
  • Conceder incentivos financeiros para estudantes de baixa renda que apresentem alto risco de evasão no ensino médio;
  • Expansão do ensino técnico integrado ao ensino médio e à educação de adultos, em cooperação direta com os institutos federais, Sistema S e empresas privadas;
  • Elevar exigências de avaliação, fechar ou reestruturar cursos universitários com indicadores insuficientes e combater evasão;
  • Implementação de uma política nacional de mediação de conflitos, protocolos de segurança para ameaças, equipes de apoio socioemocional e combate precoce ao bullying.
Romeu Zema (Novo)
  • Ampliar oferta de vagas em creches;
  • Ampliar sistema de avaliação da educação básica e incluir também a educação infantil;
  • Ampliar oferta de ensino integral;
  • Modernizar a Base Nacional Comum Curricular;
  • Dedicar o MEC apenas à educação básica e formação de professores;
  • Aprimorar formação de professores na graduação;
  • Criar diretrizes nacionais para carreira docente baseadas em desenvolvimento e desempenho;
  • Vincular programa Pé de Meia ao aprendizado do aluno;
  • Aumentar opções de modelo escolar, incluindo escolas conveniadas, cívico-militares e regulamentar homeschooling;
  • Transferir ensino superior para Ministério da Ciência e Tecnologia;
  • Premiar universidades e institutos federais por desempenho acadêmico e empregabilidade dos estudantes;
  • Vincular bolsas de mestrado e doutorado à relevância científica das pesquisas e sua aplicação prática;
  • Fortalecer formação em ciências, tecnologias, engenharias e matemáticas.
Rui Costa Pimenta (PCO)
  • Promover acesso livre e universal ao ensino superior público, sem vestibular ou qualquer filtro de seleção;
  • Fixação de piso salarial nacional dos professores em R$ 8.500;
  • Carga de trabalho docente máxima semanal estabelecida em 30 horas;
  • Eleição direta para todos os cargos diretivos de escolas;
  • Estatização das escolas particulares;
  • Fim da proibição do uso de aparelhos celulares por estudantes no ambiente escolar.
Samara Martins (UP)
  • Destinação de pelo menos 10% do PIB para as escolas e universidades estatais;
  • Fim do vestibular e livre ingresso nas universidades e instituições técnicas federais;
  • Fim de repasses públicos para o ensino privado;
  • Revogação do Novo Ensino Médio e da BNCC;
  • Federalização de universidades privadas endividadas e anistia das dívidas estudantis acumuladas com o Fies;
  • Passe Livre Estudantil, com gratuidade no transporte público para estudantes e jovens desempregados;
  • Exigência legal para que agentes públicos e seus dependentes utilizem exclusivamente a escola pública.
Wilson Grassi (Democrata)
  • Expandir a educação profissional e técnica federal, com cursos definidos de acordo com a demanda de cada região;
  • Integrar ensino médio, formação técnica e programas de qualificação profissional;
  • Criar uma carreira federal para pesquisadores, transformando pesquisadores que cumprirem requisitos em servidores públicos, em vez de bolsistas.