AO VIVO, Flávio Dino determina a volta de Andrei Rodrigues à direção da PF; acompanhe

Ministro reintegra diretor e Leandro Almada à PF após decisão de André Mendonça pelo afastamento. Dino pede que tema seja votado no plenário do Supremo Tribunal Federal e não na Segunda Turma, como ocorreu ontem.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Por Marina Rossi, da BBC News Brasil em São Paulo

  1. Ex-ministros do Supremo falam na 'mais aguda crise'

    Ministros aposentados e ex-presidentes do Supremo enviaram uma carta ao atual presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo uma apuração pública, "imediata e rigorosa", na condução do tribunal diante do que classificam como a "mais aguda crise" de sua história recente.

    Assinado por 13 ministros aposentados, entre eles Celso de Mello, Rosa Weber e Joaquim Barbosa, o documento pede, com urgência, a realização de uma sessão pública "para que o pleno determine imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse tribunal".

    Segundo os signatários, a crise também compromete a confiança da população e a estabilidade das instituições democráticas.

    Ministros que se aposentaram mais recentemente, como Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Ricardo Lewandowski — que foi ministro da Justiça e Segurança Pública no governo Lula (PT) — não assinaram a carta, que fala na "mais aguda crise de sua história".

  2. Ministros do Supremo se encontrarão em sessão no plenário hoje

    Em meio à crise entre ministros do Supremo, eles se encontrarão hoje, a partir das 14h, em sessão da Corte.

    Não está na pauta do dia nenhum processo relacionado à crise, por enquanto.

  3. Senador cobra reação do Senado à crise

    O senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS, cobrou uma reação do Senado à disputa em torno da cúpula da Polícia Federal.

    Em publicação nas redes sociais, Viana disse ter protocolado medidas para pedir investigação criminal, preservação de provas e avaliação de prisão preventiva de Andrei Rodrigues.

    O senador também cobrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, convoque sessão para tratar de impeachment.

  4. Os argumentos de Dino na decisão de hoje

    Flávio Dino

    Crédito, André Borges/EPA-EFE/REX/Shutterstock

    Na decisão de hoje, Flávio Dino utilizou recursos jurídicos para embasar sua determinação.

    Ele afirmou que André Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada a partir de um requerimento apresentado pelo partido Novo. Mas, segundo Dino, o Código de Processo Penal não inclui partidos políticos entre os sujeitos autorizados a requerer medidas cautelares em processos penais.

    Dino também questionou quem tinha poder para julgar o caso. Ele lembrou que o presidente do STF, Edson Fachin, já havia aberto um procedimento próprio reconhecendo que a competência para examinar essa controvérsia era do Plenário, e não de um colegiado menor.

    Dino argumentou também que a decisão de Mendonça teria se sobreposto a um procedimento no qual o próprio ministro figura como parte, já que os relatórios de inteligência que fundamentaram o afastamento também tratavam de suposto monitoramento dirigido a ele.

    O ministro chamou atenção para outro fato que, segundo ele, reforça a necessidade de cautela: a notícia de que Mendonça teria se reunido com o empresário Daniel Vorcaro — investigado em processos sob a própria relatoria do ministro — nas dependências de uma empresa privada, com intermediação de pessoas ligadas a investigações em curso no Judiciário.

    Outro argumento foi que, para ele, suspender as atividades de inteligência da Polícia Federal, como determinou Mendonça, pode travar centenas de investigações em andamento - inclusive algumas que estão sob sua própria relatoria.

    Ao pedir vista do processo ainda na Segunda Turma, o decano do STF (ministro que ocupa a cadeira há mais tempo), Gilmar Mendes, já havia sinalizado as mesmas preocupações: a possível ilegitimidade do partido para fazer o pedido e a competência do Plenário para julgar o caso.

  5. Crise 'arrasta governo Lula para o turbilhão', diz Associated Press

    O caso também foi noticiado pelas agências Reuters e Associated Press (AP).

    Na reportagem de título "Crise na Justiça brasileira se agrava com ordem judicial de suspensão do chefe da Polícia Federal", a Reuters afirmou que o afastamento de Rodrigues "representa um novo capítulo" no conflito no STF.

    "Moraes é uma figura poderosa no Brasil. Sua perseguição ao ex-presidente Jair Bolsonaro e seus aliados por um plano de golpe para reverter a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022 levou à condenação do ex-presidente no ano passado", disse a Reuters ainda ontem.

    "Líderes da oposição de direita têm buscado associar o presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva a Moraes, enquanto usam a crise judicial para impulsionar a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente."

    A AP também afirmou que o conflito no STF "arrasta o governo" de Lula "para o turbilhão que antecede as eleições".

  6. 'Escalada da guerra interna dentro do tribunal politizado', diz El País

    Ontem, o jornal espanhol El País afirmou que a decisão de André Mendonça pelo afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada da PF "representa uma escalada da guerra interna dentro do tribunal politizado".

    A reportagem também ressaltou que tudo ocorre às vésperas de eleições presidenciais marcadas para outubro.

    "A forma como a crise no Supremo Tribunal Federal evoluir poderá influenciar as eleições de 4 de outubro", disse o El País.

  7. Diretores da PF colocaram cargo à disposição

    Ainda ontem, após o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada, todos os diretores da PF colocaram o cargo à disposição para o delegado William Marcel Murad, o diretor-geral substituto de Rodrigues.

    Em comunicado assinado pelos 11 diretores, indicados por Rodrigues, eles classificam o afastamento do diretor-geral da PF como "ataques injustificados" e repudiaram acusações de atuação "não republicana".

  8. Fachin deu 72 horas para que Mendonça se manifeste sobre o pedido da AGU

    Edson Fachin

    Crédito, André Borges/EPA/Shutterstock

    Horas depois da nota divulgada pela AGU, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, deu 72 horas para que André Mendonça se manifeste sobre o pedido do órgão.

    O prazo começou a correr ontem e Mendonça, até o momento, não se manifestou.

  9. AGU pediu ontem, com urgência, a suspensão do pedido de afastamento dos diretores da PF

    Jorge Messias

    Crédito, EVARISTO SA/AFP via Getty Images

    Ainda na noite de ontem, a Advocacia-Geral da União (AGU) divulgou uma nota afirmando que Jorge Messias solicitou com urgência a suspensão do pedido de afastamento dos diretores da PF.

    Segundo a AGU, a suspensão causa "grave lesão à ordem pública e administrativa" e "viola frontalmente a prerrogativa constitucional privativa do Presidente da República para prover e desprover cargos de direção da Polícia Federal".

    Ainda de acordo com o órgão, a produção dos relatórios da PF em questão já estava sob condução da Presidência do STF desde 3 de setembro.

    "Esse procedimento delimitou pontos de investigação e concedeu prazo de cinco dias úteis para manifestação de autoridades, inclusive dos diretores da PF afastados", disse a AGU.

  10. Por que André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues

    André Mendonça

    Crédito, Adriano Machado

    Na decisão do ministro André Mendonça, de ontem, ele afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada da diretoria da PF e determinou a abertura imediata de procedimentos investigativos criminais e administrativo-disciplinares contra Rodrigues na Corregedoria da PF.

    Segundo o ministro, ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias, vinham sendo submetidos a um "monitoramento sistemático" por parte da inteligência policial que seria ilegal.

    A decisão de Mendonça pelo afastamento foi publicada cinco dias depois do pedido de investigação feito pelo ministro Alexandre de Moraes contra Mendonça, no âmbito do Inquérito das Fake News.

  11. Decisão de afastamento cabe ao plenário e não à Segunda Turma, como foi ontem, segundo Dino

    A decisão de Dino é uma resposta a um pedido de Andrei Rodrigues, que foi afastado ontem por decisão do ministro André Mendonça. Em seguida, a Segunda Turma do Supremo formou maioria para referendar o afastamento.

    Agora, Dino diz que essa é uma decisão que cabe ao plenário.

  12. Flávio Dino determina a reintegração de Andrei Rodrigues e Leandro Almada na PF

    Decisão do ministro Dino ocorreu agora pela manhã e é mais uma reviravolta da crise no Supremo Tribunal Federal.

    Acompanhe por aqui o minnuto a minuto com todas as notícias de hoje.