Trump é retirado às pressas de jantar após atirador abrir fogo contra segurança: 'É um lobo solitário maluco'

Momento em que Trump é retirado da mesa

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Momento em que Trump é retirado da mesa
Tempo de leitura: 7 min

O presidente americano Donald Trump foi retirado às pressas de um hotel em Washington neste sábado (25/4) após tiros serem ouvidos no local, onde ele discursaria no tradicional jantar com os correspondentes da Casa Branca.

Momentos depois, o próprio Trump deu uma entrevista coletiva em que informou que um homem munido com diversas armas abriu fogo e tentou entrar no local do evento antes de ser detido pela segurança.

Um agente ficou ferido na ação, mas foi salvo pelo colete à prova de balas e está bem, segundo o presidente americano, que divulgou também imagens das câmeras de segurança onde o provável suspeito aparece correndo.

O agente recebeu alta do hospital no domingo, segundo os meios de comunicação dos EUA CNN e NBC.

"Minha impressão é que ele era um lobo solitário maluco", disse Trump. "Essas pessoas são loucas. São pessoas loucas, e precisam ser contidas."

O suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, morador de Torrance, na Califórnia, segundo a CBS, parceira da BBC nos EUA.

Segundo as autoridades, Allen será alvo de acusação formal na segunda-feira e irá responder por uso de arma de fogo durante crime violento e agressão a agentes federais.

Segundo a CBS News, o homem disse às autoridades que tinha como alvo autoridades ligadas ao presidente americano Donald Trump.

Citando duas fontes não identificadas, a CBS afirma também que entre cinco e oito tiros foram disparados durante o incidente.

O tumulto foi percebido por volta das 20h35 no horário local (21h25 em Brasília), quando Trump e a primeira-dama Melania já estavam no local do evento, no hotel Hilton Washington, na capital americana.

Um barulho alto foi ouvido e, em seguida, vários membros do serviço secreto escoltaram o presidente, que já estava na mesa principal, para fora do local enquanto pessoas gritavam "abaixem-se, abaixem-se".

Logo depois, o serviço secreto americano informou que Trump, Melania e outros membros do governo, incluindo o diretor do FBI, não haviam ficado feridos. A viúva do ativista Charlie Kirk, que foi morto por um atirador, também estava presente no local.

O jantar com os correspondentes foi adiado. Seria a primeira participação de Trump no evento desde que chegou à Casa Branca.

Participantes do jantar saem às pressas

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Participantes do jantar saem às pressas

Suspeito não está colaborando com autoridades

O procurador‑geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou que a motivação do suposto atirador ainda está sob investigação, mas que conclusões "preliminares" indicam que ele tinha como alvo integrantes do governo, "provavelmente" incluindo o presidente

Em entrevista ao programa Meet the Press, da NBC, Blanche disse que os investigadores analisam relatos de que o suposto atirador teria montado a arma no hotel, acrescentando que o suspeito "não chegou muito longe".

"Ele mal conseguiu ultrapassar o perímetro", afirmou Blanche. Ele acrescentou que o suspeito provavelmente viajou de trem de Los Angeles a Chicago, e depois seguiu para Washington.

Ele também confirmou que o suspeito será formalmente acusado na segunda‑feira.

Blanche acrescentou, em entrevista ao programa Face the Nation, do canal CBS News, que o suspeito não está cooperando ativamente com as autoridades.

'Nenhum país está imune' à violência política, diz Trump

Pule Whatsapp! e continue lendo
No WhatsApp

Agora você pode receber as notícias da BBC News Brasil no seu celular.

Clique para se inscrever

Fim do Whatsapp!

Na coletiva de imprensa, Trump foi questionado sobre qual seria sua mensagem ao mundo após o incidente e respondeu: "Você pode ter o melhor esquema de segurança do mundo, mas se houver um maluco, ele pode causar problemas".

O presidente disse que participar da política nos Estados Unidos tem um custo e acrescentou que há violência política em todo o mundo.

"Não consigo imaginar que exista alguma profissão mais perigosa", afirmou, acrescentando que "nenhum país está imune".

Trump já foi alvo de duas tentativas de assasssinato desde a campanha de reeleição, há pouco mais de um ano.

O mais grave incidente foi em julho de 2024, quando o então candidato à Casa Branca foi atingido na orelha por um tiro enquanto participava de um comício ao ar livre em Butler, na Pensilvânia. O atirador de 20 anos foi morto por agentes de segurança no local.

Dois meses mais tarde, agentes do Serviço Secreto capturaram um homem armado escondido no clube de golfe de Trump, em West Palm Beach, na Flórida, enquanto o republicano estava no local. O caso foi considerado uma tentativa de assassinato, e o suspeito foi condenado à prisão perpétua neste ano.

Pessoas se abaixam durante o jantar

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Pessoas se abaixam durante o jantar

Reações ao episódio

O presidente Lula usou as redes sociais para se solidarizar com Trump pelo episódio.

"Minha solidariedade ao presidente Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e a todos os presentes no jantar com correspondentes em Washington. O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger", escreveu.

O primeiro‑ministro do Reino Unido, Keir Starmer, conversou por telefone neste domingo, 26/04, com Trump.

Segundo um porta‑voz, Starmer transmitiu seus votos de pronta recuperação ao presidente e à primeira‑dama, expressou alívio pelo fato de eles estarem em segurança e desejou uma rápida recuperação ao agente ferido no incidente.

Os dois líderes também discutiram a situação no Oriente Médio e a "necessidade urgente de retomar a navegação no Estreito de Ormuz, dadas as graves consequências para a economia global".

O presidente francês Emmanuel Macron também se manifestou por suas redes sociais.

"O ataque armado contra o presidente dos Estados Unidos na noite de ontem é inaceitável. A violência nunca tem lugar em democracia. Dirijo a Donald Trump todo o meu apoio", escreveu no X.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse estar "aliviado" ao saber que Trump e a primeira-dama estavam seguros e ilesos.

"Estendo meus melhores desejos por sua segurança e bem-estar contínuos. A violência não tem lugar em uma democracia e deve ser inequivocamente condenada."

A presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Weijia Jiang, responsável pela organização do jantar anual, estava sentada ao lado do presidente Donald Trump no momento dos disparos.

"O que passou pela minha cabeça foi que minha filha de sete anos estava lá. Meu marido estava lá. Meus pais estavam lá", disse ela à CBS News, empresa para a qual é correspondente sênior da Casa Branca.

"Em uma noite em que nos reunimos para celebrar as liberdades e a Primeira Emenda, também precisamos pensar em como elas são frágeis neste país, porque… tiroteios e tentativas de tiroteio acontecem todos os dias."

"E não importa se é no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca ou em qualquer outro lugar do país. Ninguém deveria ter que se sentir assim. Ninguém deveria ter medo de estar em qualquer lugar público", acrescentou.

O prefeito de Torrance, cidade na Califórnia, divulgou uma nota após o FBI e outros agentes de segurança terem feito buscas em uma propriedade local que acredita‑se estar ligada ao suspeito do ataque.

"Estamos cientes de relatos que identificam o suspeito como residente de Torrance", afirmou o prefeito George Chen. "Embora essa ligação seja profundamente preocupante, as supostas ações de um indivíduo não definem nossa cidade."

Ele disse ainda que a cidade de Torrance "se posiciona firmemente contra acviolência política, o extremismo e atos de ódio de qualquer tipo".

'Certamente há problemas de segurança' com o evento, afirma ex-embaixador dos EUA

O ex-embaixador do Reino Unido nos EUA Kim Darroch disse à Laura Kuenssberg, da BBC, que há "claros problemas de segurança" no evento.

Tudo o que é preciso fazer é "mostrar o cartão de convite... para entrar no prédio", diz ele. Depois, para entrar no salão de baile, passa-se por um detector de metais e por uma revista de bolsas, afirma.

"Mas é um hotel e está cheio de hóspedes que estão ali simplesmente hospedados", acrescenta.

Para alguém com "más intenções", há "apenas uma barreira de segurança que você precisa superar", diz ele.

O correspondente-chefe da BBC na América do Norte, Gary O'Donoghue, participou do jantar. Mais cedo, ele descreveu as cenas dentro do salão de baile.

""Caminhei alguns quarteirões até o hotel e depois mostrei meu convite para alguém que olhou para ele a uns dois metros de distância. Ninguém pediu para ver meu documento de identidade", afirmou.

Ele disse que foi revistado "de forma leve" ao entrar no salão, mas mesmo quando o detector apitou eles não pediram para que esvaziasse os bolsos.

"O Serviço Secreto fez o seu trabalho, impediu esse homem de entrar no salão de baile. Mas esse cordão de segurança estava logo do lado de fora das portas do salão, e, claro, o hotel estava cheio de hóspedes comuns."

Imagem de grande salão de eventos com telões e pessoas ao redor de mesas

Crédito, Getty Images

Legenda da foto, Correspondente da BBC que esteve no local disse que ninguém viu seu documento de identidade

Atentado contra Reagan foi no mesmo local

O jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca é uma tradição da imprensa americana que remonta a 1921 e historicamente conta com a presença do presidente americano em exercício.

Seria a primeira vez que Trump participaria do evento em suas duas passagens pela presidência. Neste sábado, a expectativa é que o americano discursasse no evento.

Vários correspondentes da BBC que estavam no local relataram cenas de grande confusão após o som dos tiros.

Agentes do Serviço Secreto dos EUA foram vistos escoltando o presidente e a primeira-dama para fora da sala, enquanto autoridades graduadas do governo, incluindo o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr. e o secretário de Defesa Pete Hegseth, foram retiradas às pressas por suas equipes de segurança.

Outros participantes permaneceram no salão de baile sob confinamento (lockdown), com muitos jornalistas tentando informar o ocorrido às suas respectivas organizações.

O incidente ocorreu no Washington Hilton, o mesmo hotel onde o então presidente dos EUA Ronald Reagan foi baleado e ferido em 1981.

O ataque aconteceu em 30 de março de 1981, quando o agressor, John Hinckley Jr., disparou contra Reagan enquanto ele retornava à sua limusine após um discurso dentro do hotel.

Reagan sobreviveu, mas ficou gravemente ferido após uma bala ricochetear na lateral da limusine presidencial e atingi-lo no torso, quebrando uma costela e perfurando um dos pulmões.

Um ano depois, Hinckley foi considerado inocente por motivo de insanidade, mas ficou internado em uma ala de alta segurança do Hospital St. Elizabeths, em Washington, até receber alta em 2016.

Uma placa marca o local do atentado contra Reagan na lateral do hotel.