AO VIVO, PF deflagra operação para rastrear financiamento de 'Dark Horse', filme sobre Jair Bolsonaro

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama são alvos da ação, apurou a BBC News Brasil.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

Por Julia Braun e Pedro Martins, da BBC News Brasil em Londres

  1. Operação da PF investiga repasses de Mario Frias, não de Daniel Vorcaro; entenda

    A operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (10/9), tenta rastrear o financiamento de Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas não tem relação com os repasses de Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o filme.

    A PF cumpre hoje mandados de busca ligados à suspeita de irregularidades no destino de emendas parlamentares e tem como alvo o deputado federal Mario Frias (PL-SP), que teve seu celular apreendido, segundo a GloboNews. Frias é roteirista e produtor-executivo do filme.

    Outro alvo da PF hoje é a empresária Karina Ferreira da Gama. Ela é responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, que recebeu R$ 2 milhões em emendas destinadas por Frias e também é proprietária da GoUp Entertainment, produtora de Dark Horse.

    A sobreposição entre os negócios dos dois levantou a suspeita de que parte dos recursos das emendas possa ter sido usada para custear a produção do filme.

    A suspeita consta de uma proposta de fiscalização e controle apresentada pelos deputados federais Dimas Gadelha (PT-RJ) e Pedro Uczai (PT-SC).

    A operação de hoje foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Ele é o responsável pelo processo a respeito dos suspostos desvios de emandas parlamentares.

    Já o processo que apura se houve irregularidade nos US$ 12,3 milhões repassados por Vorcaro para o filme a pedido do senador Flávio Bolsonaro acontece em paralelo e tem relatoria de outro ministro, André Mendonça. Ele é o responsável por todo o caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

    Um homem de expressão séria, o ator Jim Caviezel, aparece em primeiro plano usando terno escuro e faixa presidencial verde e amarela, interpretando Jair Bolsonaro, diante de um céu carregado de nuvens escuras.

    Crédito, Divulgação

    Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel
  2. Quem é Mario Frias, ator de 'Malhação' que foi secretário de Bolsonaro

    Frias é roteirista e produtor-executivo do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Frias, que começou sua carreira como ator, na extinta novela juvenil Malhação, é deputado federal por São Paulo.

    Ele se elegeu em 2022. Mas sua entrada na vida política se deu em 2020, quando foi escolhido pelo então presidente Jair Bolsonaro para chefiar a Secretaria Especial de Cultura. Frias sucedeu a também atriz Regina Duarte.

    Antes de assumir o cargo, ele havia se aproximado do núcleo bolsonarista ao defender a passagem de Duarte por Brasília. Ele, inclusive, esteve na posse da atriz, sucedendo-a cerca de três meses depois.

    Mario Frias, de terno azul, óculos e gravata, fala ao microfone, gesticulando com o dedo indicador levantado, em uma cerimônia com a bandeira do Brasil ao fundo.

    Crédito, Andressa Anholete/Getty Images

    Legenda da foto, Mario Frias em registro de 2021, quando era secretário de cultura de Jair Bolsonaro
  3. Celular de Mario Frias foi apreendido pela PF

    Segundo informações da GloboNews, o celular do deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi apreendido pela Polícia Federal.

  4. 'Dark Horse' foi usado por Andrei Rodrigues como argumento para pedir a Dino retorno à chefia da PF

    Andrei Rodrigues

    Crédito, Anadolu via Getty Images

    O filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também apareceu nas recentes discussões sobre o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, do cargo.

    Em sua decisão, Dino levou em conta um pedido protocolado pelo próprio Rodrigues em que o diretor da PF afirmou que as determinações de Mendonça poderiam "interferir" nas investigações sobre o filme Dark Horse.

    "O seu afastamento do cargo de diretor-geral interfere na organização da equipe responsável pelas investigações, retarda o acesso ao material disponibilizado e compromete a atuação célere da instituição", escreveu Dino em sua decisão.

  5. O outro inquérito sobre 'Dark Horse'

    Flávio Bolsonaro

    Crédito, Fabio Teixeira/Anadolu via Getty Images

    Há duas investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o filme Dark Horse.

    Uma delas, que está sob supervisão do ministro Flávio Dino, é o que se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme. É nesse contexto que a operação da PF desta quinta foi autorizada.

    Há, no entanto, um outro inquérito, sob a relatoria do ministro André Mendonça, que examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para financiar a obra sobre seu pai.

    Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que Flávio teria pedido a Vorcaro US$ 24 milhões, o equivalente a R$ 134 milhões, para financiar a produção do filme. O banqueiro, que está preso desde novembro de 2025, é suspeito de fraudar R$ 12 bilhões do sistema financeiro.

    Flávio negou qualquer irregularidade e disse ao Jornal Nacional que o tema está "mais que esclarecido" e é um "livro fechado, ressignificado e na prateleira".

    Mas o caso voltou à tona após Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, ter fechado um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), que foi homologado por Mendonça.

    Mineiro é dono da Entre Investimentos e Participações e apontado como principal operador financeiro de Vorcaro.

    Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, ele afirmou em sua delação ter feito, a pedido de Vorcaro, sete pagamentos para o fundo Havengate, que tem sede nos Estados Unidos e ligação com um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Os repasses somaram US$ 12,3 milhões, o equivalente a cerca de R$ 69 milhões na cotação da época.

    Os últimos repasses, contrariando o que Flávio havia dito à GloboNews, teriam ocorrido em setembro e outubro, segundo apurou a revista Piauí. Isto é, às vésperas da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.

    Leia mais na reportagem completa da BBC News Brasil:

  6. Quais são as suspeitas em relação a Mario Frias e à produtora do filme?

    O deputado federal Mario Frias (PL-SP) é um dos alvos da operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (10/9) para investigar suspeitas de irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

    A medida foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino no âmbito da investigação que apura o desvio de recursos para o filme.

    Esse inquérito apura suspeitas de que R$ 2 milhões destinados por Frias ao Instituto Conhecer Brasil, da empresária Karina Ferreira da Gama, possam ter sido usados, entre outras finalidades, para financiar a produção do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    A suspeita decorre da sobreposição entre os negócios dos dois. Frias é roteirista e produtor-executivo de Dark Horse, enquanto Ferreira da Gama é dona da GoUp Entertainment, produtora responsável pelo longa.

  7. Operação Make Up apura suposto desvio de recursos públicos em emendas parlamentares

    Há duas investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o filme Dark Horse.

    Uma delas, que está sob supervisão do ministro Flávio Dino, se concentra no possível uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme. A operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10/9) pela Polícia Federal, está neste âmbito.

    Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. A operação tem como alvo o deputado estadual Mario Frias, que teria repassado R$ 2 milhões à empresária Karina Ferreira da Gama, que é dona de um instituto à frente de projetos sociais e, ao mesmo tempo, da produtora Go Up Entertainment, responsável por Dark Horse.

    As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados, segundo a PF. As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano.

    Levantamentos financeiros identificaram, ainda de acordo com a polícia, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado.

    Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel

    Crédito, Divulgação

    Legenda da foto, Detalhe do cartaz de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro, que é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel

    Um outro inquérito, sob a relatoria do ministro André Mendonça, examina os repasses feitos pelo ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro e o percurso desse dinheiro. A operação desta quinta não tem relação com essa investigação.

  8. PF deflagra operação sobre financiamento do filme 'Dark Horse'; Mario Frias e produtora são alvo

    Mario Frias, de terno azul, segura um microfone e fala diante do público, com uma das mãos próxima ao rosto, em um palco com iluminação escura ao fundo.

    Crédito, Getty Images

    A Polícia Federal cumpre mandados de busca nesta quinta-feira (10/9) em operação relacionada ao financiamento do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, produtora do filme, são alvos da ação, apurou a BBC News Brasil.