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Hantavírus pode ter se espalhado entre passageiros no navio em que 3 já morreram, diz OMS
- Author, Ian Aikman e Kathryn Armstrong
- Role, Da BBC News
- Tempo de leitura: 4 min
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que pode ter havido rara transmissão de hantavírus de pessoa para pessoa no navio de cruzeiro holandês onde três passageiros morreram.
O vírus geralmente é transmitido por roedores, mas a OMS disse que, neste caso, pode ter se espalhado entre "contatos realmente próximos" a bordo do navio MV Hondius. A organização ressaltou que o risco para o público é baixo.
Dois tripulantes — um britânico e um holandês — devem ser evacuados por aeronave para a Holanda após apresentarem "sintomas respiratórios agudos", informou a operadora do navio, a Oceanwide Expeditions. Uma pessoa ligada a um cidadão alemão que morreu também deve ser evacuada.
O MV Hondius partiu da Argentina em sua viagem pelo Oceano Atlântico há cerca de um mês. Atualmente, está ancorado próximo a Cabo Verde, na costa oeste da África.
Equipes médicas de Cabo Verde, com apoio da OMS, embarcaram no navio para ajudar nos casos suspeitos, disse o porta-voz Tarik Yasarevic à BBC. Testes estão sendo realizados em outros passageiros e tripulantes que apresentam sintomas.
Imagens feitas a bordo do navio mostram trabalhadores usando trajes de proteção em uma embarcação menor ao lado.
Cerca de 149 pessoas de 23 países permanecem a bordo sob "medidas rigorosas de precaução", informou a Oceanwide.
"Acreditamos que pode haver alguma transmissão de pessoa para pessoa ocorrendo entre contatos realmente próximos", disse a autoridade da OMS, Dra. Maria Van Kerkhove.
Ela acrescentou que a OMS suspeita que a primeira pessoa a adoecer possa ter contraído o vírus antes de embarcar no navio.
Casos suspeitos e evacuações médicas
Sete casos de hantavírus — dois confirmados e cinco suspeitos — foram identificados até agora, segundo a atualização mais recente da OMS.
Os dois casos confirmados são uma mulher holandesa, que está entre os mortos, e um cidadão do Reino Unido de 69 anos, que foi levado para a África do Sul para tratamento médico.
O marido da mulher também morreu, mas não é um caso confirmado de contágio, assim como o cidadão alemão que faleceu em 2 de maio.
Em comunicado, a família do casal holandês disse: "A bela viagem que eles viveram juntos foi abrupta e permanentemente interrompida".
"Ainda não conseguimos compreender que os perdemos. Queremos trazê-los para casa e homenageá-los em paz e privacidade", acrescentou.
Investigadores trabalham com a hipótese de que a cepa Andes do vírus, que se espalha na América do Sul, onde o cruzeiro começou, tenha sido encontrada nos dois casos confirmados.
A organização foi informada de que não havia ratos a bordo, disse Van Kerkhove, acrescentando que a desinfecção está sendo realizada no navio e que aqueles com sintomas ou que cuidam de pacientes estão usando equipamentos de proteção individual completos.
"Nossa hipótese de trabalho é que provavelmente há alguns tipos diferentes de transmissão que podem estar ocorrendo", disse Van Kerkhove ao programa BBC Breakfast na terça-feira.
Ela observou que o cruzeiro visitou muitas ilhas diferentes, algumas das quais têm roedores, que normalmente espalham o vírus por meio de fezes, saliva ou urina.
A OMS informou que a Espanha concedeu permissão para que o navio atracasse nas Ilhas Canárias, onde uma avaliação de risco e monitoramento médico adicional poderiam ser realizados.
Mas o Ministério da Saúde da Espanha não confirmou a acolhida.
"Dependendo dos dados epidemiológicos coletados do barco enquanto ele passa por Cabo Verde, será decidido qual o próximo destino mais apropriado", dizia o comunicado.
"Até lá, o Ministério da Saúde não tomará uma decisão, conforme explicamos à OMS."
Um porta-voz do Ministério da Saúde da Espanha disse à BBC que ainda não recebeu um pedido para que o navio pare nas Canárias.
No entanto, as autoridades espanholas estão preparadas para assumir a situação caso isso mude, acrescentou o porta-voz. Isso incluiria fornecer atendimento médico, análises e desinfecção.
Eles não informaram se os passageiros seriam autorizados a desembarcar.
Embora ainda não possam deixar o navio, um passageiro disse à BBC na segunda-feira que o clima a bordo era "bastante bom".
"Esperamos que os outros pacientes a bordo sejam testados em breve e então saberemos o que está acontecendo", acrescentou o passageiro, que pediu para permanecer anônimo.
Outro passageiro, o vlogger de viagens Jake Rosmarin, disse em uma publicação nas redes sociais que "há muita incerteza, e essa é a parte mais difícil. Tudo o que queremos agora é nos sentir seguros, ter clareza e voltar para casa".
Com informações adicionais de Pumza Fihlani