Senado aprova PEC da Segurança sem redução da maioridade penal

Congressistas no plenário do Senado brasileiro
Legenda da foto, Plenário do Senado durante discussão da PEC da Segurança
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O Senado Federal aprovou em dois turnos nesta terça-feira (3/11) a PEC (proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública, que amplia o papel do governo federal na área e a integração com os Estados no combate ao crime organizado.

Durante a sessão foi decidido que a redução da maioridade penal, um dos principais pontos de debate da PEC, será discutida e tramitará de forma separada em uma outra proposta. O desmembramento teve aprovação apertada: 38 a 36 votos.

O PL propunha reduzir a maioridade de 18 para 16 anos. Em casos de crimes hediondos, terrorismo, participação em organização ou associação criminosa, tortura e tráfico de drogas, poderia cair de 18 para 14 anos. O PT queria a redução para 16 anos apenas em crimes hediondos.

O texto foi aprovado em dois turnos, sem votos contrários, e segue para promulgação. Dos Estados Unidos, para onde fugiu após ser derrotado na eleição presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou da votação de forma remota.

A aprovação da PEC era considerada uma condição para o governo Lula criar uma Secretaria Federal da Segurança Pública.

Entre outros itens do texto aprovado no Senado estão atribuições mais amplas para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal, medidas mais rigorosas para integrantes de facções criminosas e milícias e a criação de meios para o financiamento da segurança pública.

A aprovação também permitirá a inclusão do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição, que estabelece competências dos diferentes entes federativos e órgãos policiais, além procedimentos para integrar União, Estados e municípios para compartilhamento de informações e integração dos sistemas utilizados pelos órgãos de segurança.

Veja alguns pontos importantes da PEC aprovada:

  • A Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atuará em hidrovias e ferrovias, além de ajudar forças de segurança estaduais, quando um governador requisitar
  • Integrantes de facções e milícias terão restrições a benefícios penais e progressão de regime. Confisco de bens ligados ao crime organizado será ampliado
  • Municípios poderão ter polícias comunitárias de natureza civil para exercer policiamento ostensivo e preventivo
  • A Polícia Federal terá atuação reforçada em casos de repercussão nacional ou internacional, especialmente os relacionados a facções criminosas
  • Vítimas de crimes terão assegurados direitos como assistência, acesso à Justiça e participação no processo penal, com atenção especial para mulheres