Eleições na Colômbia: filósofo de esquerda e advogado fã de Bukele disputarão o 2º turno

Iván Cepeda e Abelardo de la Espriella.

Crédito, Luis ACOSTA e Raul ARBOLEDA / AFP via Getty Images

Legenda da foto, O filósofo de esquerda Iván Cepeda e o advogado da direita radical Abelardo de la Espriella
    • Author, Daniel García Marco
    • Role, BBC News Mundo
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  • Tempo de leitura: 5 min

A presidência da Colômbia será decidida em 21 de junho, em uma disputa entre o candidato de esquerda Iván Cepeda e o de direita Abelardo de la Espriella, de acordo com os resultados das eleições deste domingo (31/5).

Com mais de 90% das urnas apuradas, De la Espriella lidera a corrida com 43% dos votos, contra 41% de Cepeda. Um candidato precisa de mais de 50% dos votos para vencer no primeiro turno.

Cepeda é o líder de esquerda que oferece continuidade aos programas do atual governo de Gustavo Petro, enquanto De la Espriella é um empresário de direita que promete uma abordagem radical para mudar tudo.

Paloma Valencia, política que buscava se tornar a primeira mulher a governar o país, está em terceiro lugar com apenas 6% dos votos.

A eleição, que transcorreu pacificamente, foi marcada pela polarização entre aqueles que apoiam a continuidade das políticas do presidente Petro para reduzir a pobreza, e aqueles que, além de mudanças sociais, exigem respeito à iniciativa privada e a restauração da segurança, que tem sido prejudicada por grupos armados ilegais envolvidos com o narcotráfico e a mineração ilegal.

A esquerda entrou na disputa eleitoral unida, a direita dividida e o centro enfraquecido com a baixa participação eleitoral, como demonstram os resultados.

A Colômbia, portanto, parece caminhar para um duelo entre duas visões antagônicas para o país.

Mas quem são De la Espriella e Cepeda?

Quem é De la Esrpiella

Abelardo de la Espriella

Crédito, Rodrigo BUENDIA / AFP via Getty Images)

Legenda da foto, Abelardo de la Espriella promete pulso firme para para combater a violência

Com seu movimento Defensores da Pátria, o advogado De la Espriella (47 anos) surgiu no cenário político com um discurso de direita radical.

Ele se apresenta como um "outsider", um empresário bem-sucedido independente da elite política e econômica, embora nas últimas semanas algumas figuras desses mesmos setores que ele afirma rejeitar o tenham apoiado publicamente.

Ele é um advogado com grande habilidade para lidar com a mídia, com uma lista de clientes que inclui casos envolvendo grupos paramilitares, corrupção, vítimas de violência de gênero e celebridades.

Entre seus clientes estava Álex Saab, o suposto testa de ferro de Nicolás Maduro na Venezuela, que foi recentemente extraditado para os EUA para responder a acusações criminais.

De la Espriella concentra seu discurso na segurança e no combate à corrupção e é um defensor da livre iniciativa, de Deus e da família como núcleo da sociedade.

Sua estratégia nas redes sociais, especialmente no Facebook e no Instagram, tem sido prolífica e intensa, atraindo eleitores ávidos por mudanças radicais. Em sua campanha, ele insiste que o país vive um "momento existencial" e acusa Petro de querer se perpetuar no poder, apesar da reeleição não ser permitida na Colômbia e do presidente, até o momento, não ter acionado nenhum mecanismo legal ou institucional que sugira tal possibilidade.

Admirador declarado de líderes conservadores como Nayib Bukele, presidente de El Salvador, Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina), De la Espriella afirma que seu movimento não se baseia em ideologias ou espectros políticos, mas em "extrema coerência".

O empresário propõe uma ofensiva contra grupos armados ilegais, o fortalecimento das Forças Armadas e um crescimento econômico sustentado de 5% ao ano para obter os recursos necessários para financiar programas voltados à redução da pobreza, por meio da melhoria da educação, saúde e moradia para os cidadãos mais pobres, além da geração de empregos.

O candidato do movimento "Firmes por la Patria" (Firmes pela Pátria), que concorreu sem o apoio de partidos políticos tradicionais, afirma que Cepeda é herdeiro de Petro e representa uma ameaça à democracia e à economia devido aos seus planos, que incluem a prorrogação da proibição de novos projetos petrolíferos.

De la Espriella afirma ter financiado sua campanha com recursos próprios, sem receber doações de partidos ou grandes empresas.

Quem é Iván Cepeda

Iván Cepeda.

Crédito, Andres Rot/Getty Images

Legenda da foto, Iván Cepeda busca dar continuidade às políticas do presidente Gustavo Petro

Desde que lançou sua candidatura em outubro de 2025, Iván Cepeda, de 63 anos, liderou a maior parte das pesquisas, garantindo a maioria dos votos no primeiro turno.

Ele é filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 por paramilitares em conluio com agentes do Estado.

Viveu exilado diversas vezes devido a ameaças de morte contra sua família e estudou filosofia na Bulgária na década de 1980. Lá, absorveu ideias socialistas modernas e reformistas, bem distantes da ortodoxia comunista e autoritária que caracterizou o bloco soviético por muitos anos.

Deputado renomado desde 2010, dedicou sua carreira à preservação da memória das vítimas do conflito, negociando com grupos armados para alcançar a paz e investigando o paramilitarismo.

Este último empreendimento o levou a uma longa batalha judicial, tanto como vítima quanto como testemunha contra Uribe, em um caso de suborno em processo criminal e fraude processual, que continua apesar da absolvição do ex-presidente em apelação.

Ele facilitou as negociações de paz entre o Estado e as FARC em 2016 e participa ativamente da política de "paz total" de Petro, uma estratégia criticada por não ter alcançado os resultados prometidos.

Sua plataforma inclui a continuidade das reformas sociais do atual presidente, o aumento da participação do Estado na economia, o combate à corrupção, a redução da desigualdade, a reforma das instituições e a busca pela paz sem abandonar o diálogo.

O primeiro ponto gera preocupação entre economistas que observam a precária situação fiscal do país.

O último ponto provoca rejeição por parte daqueles que se opõem às negociações com grupos armados.

Cepeda promete dar continuidade às políticas de combate à pobreza e à profunda desigualdade social com subsídios para os mais pobres, ensino universitário gratuito para jovens e melhoria da cobertura de saúde.

Uma mulher colombiana deposita seu voto na urna.

Crédito, Reuters