Trump diz que sistema eleitoral dos EUA tem 'vulnerabilidades chocantes' às vésperas das eleições de meio de mandato

Crédito, EPA
- Author, Bernd Debusmann Jr
- Role, Repórter da BBC News na Casa Branca
- Author, Anthony Zurcher
- Role, Correspondente na América do Norte
- Published
- Tempo de leitura: 5 min
Em um pronunciamento transmitido em horário nobre nas televisões americanas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a China de interferir nas eleições de 2020 e alegou "vulnerabilidades chocantes" nos sistemas de votação de seu país.
Trump, que falou da Casa Branca na noite de quinta-feira (16/07), fez repetidamente alegações infundadas sobre fraude eleitoral e interferência estrangeira nas eleições de 2020, nas quais perdeu para Joe Biden.
O discurso de meia hora foi proferido três meses antes das eleições de meio de mandato, marcadas para novembro, que elegerão deputados e senadores para o Congresso americano.
Na fala, Trump disse ter tirado o sigilo de centenas de arquivos de inteligência que corroboravam suas alegações de que Pequim tentou influenciar a eleição a favor de Biden há seis anos.
A comunidade de inteligência dos EUA já havia concluído que a China não interferiu nas eleições de 2020.

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Trump discursou diante de vários membros de sua equipe principal, mas os jornalistas não puderam fazer perguntas ao presidente.
Em seu discurso, ele acusou a China da "aquisição ilícita" de 220 milhões de arquivos de eleitores, incluindo informações pessoais.
Trump disse que dados de eleitores em 18 Estados foram "comprados, roubados ou hackeados pela China" e acusou "os responsáveis por soar o alarme" de não divulgarem a descoberta a autoridades governamentais ou ao Congresso.
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Trump não apresentou, em seu discurso, nenhuma evidência de que a China tenha usado as informações que supostamente coletou para alterar sistemas de votação ou influenciar os resultados das eleições.
As primeiras análises das centenas de páginas de documentos de inteligência divulgados pela Casa Branca durante o discurso de Trump, muitos deles com trechos censurados, não pareceram apresentar novas evidências de fraude eleitoral ou interferência chinesa nas votações.
Em resposta ao seu discurso, a Embaixada da China em Washington disse à agência de notícias Reuters que Pequim "nunca interferiu e nunca interferirá nas eleições presidenciais".
A BBC entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores da China para obter um comentário.
Membros do Partido Democrata, da oposição, acusaram Trump de tentar semear dúvidas sobre a segurança das eleições de meio de mandato de novembro, que decidirão o controle do Congresso pelo restante de seu mandato.
"Sejamos claros: na América, os eleitores escolhem seus líderes, e não o contrário", publicou o senador democrata Chuck Schumer nas redes sociais após o discurso.
"Os democratas lutarão com todas as forças para garantir que todos os eleitores americanos possam votar livremente, sem obstrução ou interferência de Donald Trump", acrescentou.
Os comentários do presidente contradizem avaliações anteriores da inteligência americana. Um relatório de 2021 do Conselho Nacional de Inteligência dos EUA afirmou ter "alta confiança" de que a China não interferiu nas eleições presidenciais de 2020.
"Avaliamos que a China não realizou esforços de interferência e considerou, mas não realizou, esforços de influência destinados a alterar o resultado das eleições presidenciais americanas", afirmou o relatório.
O documento diz ainda que isso provavelmente ocorreu porque a China "não considerou nenhum dos resultados eleitorais vantajoso o suficiente para justificar o risco de represálias caso fosse pega".
Trump fez o pronunciamento na Casa Branca após a divulgação de uma nova pesquisa do Washington Post-Ipsos, que indicou que seu índice de aprovação havia caído para 37%, com muitos eleitores pessimistas em relação ao custo de vida e à guerra em curso com o Irã.
Em outro trecho do discurso, o presidente alegou que as máquinas de votação americanas são "extremamente expostas" à interferência de adversários estrangeiros, incluindo Rússia, China e Irã.
As deficiências da infraestrutura eleitoral dos EUA são bem documentadas. Algumas foram abordadas após a eleição de 2016, vencida por Trump, depois que a comunidade de inteligência americana descobriu que a Rússia havia se envolvido em uma campanha coordenada de interferência eleitoral que incluía ataques cibernéticos, influência nas redes sociais e financiamento de atividades eleitorais presenciais.
Durante o discurso, Trump também alegou que uma investigação estadual conduzida pela polícia de Michigan descobriu um esquema de fraude no registro de eleitores por um grupo ligado ao Partido Democrata, mas foi impedido pelo FBI de tomar medidas antes que o prazo de prescrição expirasse.
"Era um esquema de 'pague, jogue e trapaceie'", disse ele, embora não tenha apresentado nenhuma prova de que votos ou apurações foram alterados ou que as urnas eletrônicas foram hackeadas.
Em outro momento, Trump disse que o Departamento de Segurança Interna identificou 278 mil não-cidadãos registrados para votar. Ele não disse se alguma dessas pessoas votou ou teve algum impacto no resultado da eleição.
Ao final de seu discurso, Trump voltou a pedir a aprovação do SAVE America Act, que proíbe a maioria das votações por correio, exige comprovante de cidadania para o registro de eleitores e documento de identidade com foto para votar.
Essa legislação está parada no Senado há meses.
Trump incentivou os americanos a pressionarem seus representantes no Congresso para apoiarem sua aprovação, mas, a menos que os republicanos também estejam dispostos a abandonar procedimentos de longa data do Senado, tais esforços estão quase certamente fadados ao fracasso.
O discurso provavelmente não fará muito para acalmar as preocupações dos democratas de que Trump esteja tentando colocar em dúvida a segurança das próximas eleições de meio de mandato e da eleição presidencial de 2028.
"O presidente tem medo do poder de vocês e quer que vocês acreditem que o voto de vocês não importa", escreveu a ex-vice-presidente Kamala Harris no Facebook momentos antes do discurso de Trump.
"Ele quer que vocês percam a confiança em nosso sistema eleitoral para que fiquem em casa em novembro. Ele sabe o quanto o povo americano está descontente e quer garantir que vocês não votem", acrescentou ela.



























