Vitória de Lula freia avanço da direita na América Latina?
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo (25/10) foi a primeira da esquerda na América Latina desde que Donald Trump foi reeleito presidente dos Estados Unidos.
Após a volta de Trump à Casa Branca em 2025, apenas candidatos conservadores venceram eleições na Colômbia, no Peru, na Costa Rica, em Honduras, no Chile, na Bolívia e no Equador.
Lula foi reeleito presidente do Brasil com 51,79% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A vitória de Lula contrasta com a sequência recente de vitórias da direita na região. Ainda assim, as duas maiores economias da América Latina, Brasil e México, continuam sob governos de esquerda, liderados por Lula e pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum.
Sheinbaum foi uma das primeiras líderes a parabenizar Lula pela vitória.
"Viva a democracia, ganhou o povo do Brasil. Parabéns, presidente Lula!", escreveu nas redes sociais.
Na América do Sul, além do Brasil, a esquerda latino-americana mantém apenas o governo do Uruguai.
Trump tem buscado ampliar sua influência hemisférica ao apoiar candidatos ideologicamente alinhados, ordenar operações militares diretas na região e formar uma aliança de segurança com 14 governos, denominada Escudo das Américas.
Lula é um dos poucos presidentes latino-americanos que enfrentaram abertamente essa ofensiva de Washington. Por isso, a reeleição do presidente é vista na região como de importância histórica.
Para Sidney Chalhoub, professor do Departamento de História de Harvard e da Unicamp (Universidade de Campinas), a vitória do Lula "pode ser uma virada na América Latina, principalmente se for acompanhada por uma derrota acachapante do Trump nas midterms".
As midterms são as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos que renovam grande parte do Congresso americano.
"Se ele [Trump] perde força e o Brasil se torna um baluarte da luta contra o avanço da direita na América Latina inteira, esse poder americano e essa ideia de transformar a América Latina no quintal vai esfumaçar", avalia.



