Você sente culpa ao avisar no trabalho que está doente? Talvez seja por isso...

Uma mulher enrolada em um cobertor e segurando uma bebida quente sentada diante de uma mesa com um laptop. Há também lenços de papel amassados sobre a mesa

Crédito, Getty Images

    • Author, Nick Triggle
    • Role, Jornalista de saúde da BBC
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  • Tempo de leitura: 4 min

Você acorda se sentindo mal, mas tem um grande dia de trabalho pela frente.

O que você faz? Se a resposta for bater o ponto mesmo assim, você não está sozinho.

Pesquisas sugerem que entre um terço e metade das pessoas no Reino Unido trabalham mesmo quando estão doentes — algo que os especialistas chamam de "presenteísmo".

Por outro lado, gerações mais novas têm demonstrado maior preocupação com seu bem-estar, incluindo sua saúde mental.

Isso não quer dizer que a geração mais jovem seja "mimada", como frequentemente é rotulada, diz o professor Cary Cooper, psicólogo da Universidade de Manchester e um dos maiores especialistas mundiais em bem-estar no ambiente de trabalho.

"Talvez as gerações mais antigas tenham sido mais tolerantes [com a entrega incondicional ao trabalho], mas isso não significa necessariamente que essa escolha seja saudável", afirma Cooper.

"Quando se trata de fazer uma pausa, os trabalhadores mais jovens parecem mais dispostos a encarar o bem-estar mental como parte de sua saúde geral, em vez de algo que deva ser simplesmente ignorado."

A verdade é que a forma como você lida com problemas de saúde diz muito sobre você como indivíduo e sobre o lugar onde você trabalha.

O que isso diz sobre você

Diversos fatores influenciam a forma como uma pessoa lida com o afastamento por doença.

Para alguns, o trabalho está intimamente ligado à identidade. Psicólogos organizacionais chamam isso de centralidade do trabalho — e pesquisas relacionam esse fato a um maior engajamento, comprometimento e disposição para se esforçar ao máximo.

Se o trabalho é essencial para quem você é, ausentar-se dele pode dar a sensação de perder temporariamente uma parte de si mesmo.

"Essas pessoas sentem um forte desejo de continuar comparecendo", explica Audrey Tang, psicóloga que escreve sobre bem-estar no local de trabalho.

De acordo com a especialista, aqueles que trabalham em profissões ligadas ao cuidado, como medicina, enfermagem e ensino, têm uma tendência a isso.

"Eles frequentemente relatam que preferem sofrer um acidente físico para ter uma justificativa para não comparecer ao trabalho, em vez de simplesmente tirar o dia de folga."

Outros temem ser vistos como fracos ou preguiçosos.

Os trabalhadores mais jovens são particularmente suscetíveis a essa pressão, diz Tang.

"É mais provável que estejam no início da carreira e não queiram causar uma impressão negativa."

O que isso diz sobre o lugar onde você trabalha

Um grupo de pessoas vestindo coletes amarelos de alta visibilidade está reunido em uma sala. A maioria está de pé, de frente para um homem com uma prancheta, que está de costas para a câmera. Eles estão ouvindo o que ele diz.

Crédito, Getty Images/Jacob Wackerhausen

Legenda da foto, A cultura do ambiente de trabalho pode influenciar significativamente a disposição das pessoas em tirar dias licença por motivo de doença

Os padrões no ambiente de trabalho podem ter uma influência significativa na disposição das pessoas em tirar licença médica, afirma a psicóloga Tara Quinn-Cirillo.

Quando as equipes estão sobrecarregadas e há pouca ou nenhuma cobertura disponível, os funcionários sabem que sua ausência aumentará a carga de trabalho dos colegas.

"O papel da culpa e da vergonha é significativo em uma organização tóxica que prioriza a produtividade em detrimento da saúde e do bem-estar", aponta Quinn-Cirillo.

"Em alguns locais de trabalho, existe uma cultura de 'seguir em frente' que incentiva as pessoas a continuarem trabalhando quando deveriam estar descansando."

Esses ambientes de trabalho valorizam o presenteísmo. Os funcionários se sentem valorizados por comparecerem ao trabalho, independentemente de como estejam se sentindo.

Se os gestores elogiam a performance de algum empregado que está trabalhando doente, a equipe rapidamente assimila a mensagem.

"Em um ambiente de trabalho saudável, as pessoas devem poder ter conversas abertas e honestas sobre bem-estar e dias de licença médica", diz Quinn-Cirillo.

A confiança também é importante. Se a ausência for rotineiramente questionada ou vista de forma negativa, os trabalhadores podem ficar relutantes em fazer uma pausa por motivos legítimos, devido ao medo de serem julgados.

Segundo Quinn-Cirillo, isso é um "grande sinal de alerta".

Como saber se você está doente demais para trabalhar

Decidir se você está doente demais para trabalhar nem sempre é simples.

Para doenças físicas, Tang afirma que existem algumas regras bem estabelecidas.

"Se você estiver vomitando e tiver diarreia ou febre, deve ficar em casa por 48 horas e 24 horas, respectivamente, após o desaparecimento dos sintomas. Nessas situações, é improvável que você consiga trabalhar de forma eficaz de qualquer maneira."

De acordo com a psicóloga, há no entanto situações em que a decisão fica mais difícil, sobretudo quando o trabalho remoto é possível.

"No caso de tosses e resfriados, há uma zona cinzenta. Desde a covid-19, a etiqueta no ambiente de trabalho mudou — geralmente, é considerado mais educado trabalhar em casa."

Ela afirma ser imprescindível que a saúde mental seja tratada da mesma forma que a saúde física.

Quinn-Cirillo acrescenta: "Em última análise, trata-se da capacidade de realizar um trabalho, seja ela física ou mental."

Um outro sinal de alerta é quando o trabalho começa a afetar os cuidados básicos de saúde pessoal, diz ela.

"Sua capacidade de cuidar de si mesmo está mudando? Você consegue relaxar do trabalho? Seu sono está bom?"

Se a resposta for não, pode ser um sinal de que o repouso é exatamente o que você precisa.