AO VIVO, Jorge Messias em sabatina ao STF: 'Sou totalmente contra o aborto'; siga sessão

Indicado por Lula ao STF defendeu, no entanto, aborto legal nas situações previstas na lei. Jorge Messias descreveu sua origem evangélica e se definiu como 'servo de Deus'.

Pontos-chave

Cobertura ao Vivo

  1. Messias fala sobre princípios para julgamento de inquérito das fake news e nega censura da AGU

    Em resposta aos questionamentos dos senadores sobre defesa da liberdade de imprensa e expressão, Jorge Messias citou diversos casos de fraudes, desinformação e erotização infantil detectados nas redes sociais recentemente.

    Segundo Messias, uma de suas missões é defender as crianças e adolescentes brasileiras, uma obrigação determinada na Constiuição.

    O advogado-geral da União também negou ter pedido a cassação da emissora Jovem Pan. "Defendemos a imprensa, a liberdade de imprensa, nunca pedimos a cassação. Não foi exatamente isso, factualmente, que aconteceu no pedido formulado pela AGU", disse.

    Messias ainda citou os princípios do juiz natural, da duração razoável do processo e da proporcionalidade ao responder sobre o inquérito das fake news.

    "Eu quero dizer que, na qualidade de julgador, são esses os princípios que eu irei utilizar para, a partir de uma fundamentação técnica, sóbria, precisa, atuar dentro da jurisdição constitucional", respondeu.

    Se aprovado para o STF, ele vai fazer parte da Turma do STF responsável pelo inquérito das fake news.

    "Muitas vezes a solução está no limite entre a liberdade de expressão e a desinformação", afirmou Messias. "Mas eu quero tranquilizar também vossas excelências. O governo, o Estado, ele não pode ser um patrulhador da conduta e do comportamento alheio. O Estado não pode ser censor da conduta de ninguém. A crítica, mesmo que dura, ela deve ser respeitada. Mas há um limite", disse, citando a incitação à violência e a discriminação.

  2. Cabe à população julgar sucesso ou insucesso da Lava jato, diz Messias

    Messias retormou suas respostas ao questionamento dos senadores sobre suas críticas ao ativismo judicial do STF.

    "Diante desse ativismo, é necessário que o Estado brasileiro tenha um centro de governo e uma unidade jurídica sólida para fazer frente a esse fenômeno. Analisei o fenômeno", disse.

    "Sou advogado público há mais de 20 anos, e a advocacia pública também tem sido alvo de um processo de avanço do Judiciário em relação à competência do Executivo."

    Sobre excessos da Lava Jato, ele afirmou que são questões já expostas pelo Supremo. "O resultado da Lava Jato, seu sucesso ou insucesso ,cabe à população julgar. Não vou me ater a slogans. O STF reconheceu inúmeros excessos, e estou tratando aqui exatamente a partir dessas evidências."

  3. Messias defende 'proporcionalidade' no direito penal em resposta a críticas sobre 8 de janeiro

    Em aceno ao campo bolsonarista, que acusa o STF de aplicar penas elevadas a condenados pelos atos de 8 de janeiro, Messias defendeu, já em sua fala inicial, a “proporcionalidade” no direito penal.

    Depois, questionado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre penas de 14 anos de prisão de alguns participantes dos atos, reforçou esse princípio, mas disse que não poderia comentar exemplos específicos, sob risco de ficar impedido de analisar recursos, caso seja aprovado para a Corte.

    “Do ponto de vista do Direito Penal, nós temos que voltar àquilo que é básico: a legalidade estrita, a taxatividade das condutas, a proporcionalidade das penas, a individualização da conduta e a individualização da pena”, defendeu Messias, ao responder Flávio Bolsonaro.

    “Processo penal não é ato de vingança. Processo penal é ato de justiça”, acrescentou.

    Sem mencionar diretamente o projeto de lei da dosimetria, que prevê redução de penas dos condenados, Messias disse que há mecanismos para tentar rever as punições na própria Justiça por meio de recursos.

    "O que eu posso dizer em relação a este caso, até porque não posso antecipar julgamento, no sentido de não me colocar em posição de impedimento, é que o sistema penal brasileiro prevê mecanismos próprios de correção pela revisão criminal".

    "Portanto, essas questões. Elas podem estar sendo submetidas ainda à jurisdição do Supremo Tribunal Federal, e eu não vou me colocar em situação de impedimento".

    O PL da dosimetria foi vetado por Lula, mas a expectativa é que o veto seja derrubado nesta quinta-feira (30/4). Caso isso ocorra, é possível que o STF seja provocado a avaliar a constitucionalidade da redução das penas, em novo ponto de tensão com o Congresso e o campo bolsonarista.

    Messias também foi questionado sobre sua atuação como advogado-geral da União na reação do governo ao 8 de janeiro, quando chegou a dizer, em uma entrevista, que havia pedido a prisão preventiva dos envolvidos.

    Messias disse que, na verdade, pediu a prisão em flagrante, e se cometeu um equívoco ao falar em preventiva, tipo de prisão que apenas o Ministério Público pode solicitar.

    Ele justificou os pedidos de prisão em flagrante como seu dever constitucional naquele momento, já que é obrigação da AGU zelar pelo patrimônio público.

    “Eu posso dizer a vocês que não me alegro. Nunca vou me alegrar em adotar medidas constritivas de liberdade de alguém. O fiz por obrigação, por dever de ofício”, afirmou, em resposta ao senador Weverton Rocha (PDT-MA).

    “O 8 de janeiro foi um dos episódios mais tristes que vivi durante a minha vida”, disse ainda.

  4. Metade dos senadores da CCJ já votou durante sabatina

    Senadores da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado já estão registrando os seus votos a favor ou contra a indicação de Jorge Messias. Até o momento, foram computalizados 27 votos, que são secretos.

    A comissão é composta por 27 senadores titulares e 27 suplentes. A indicação precisa de maioria simples (metade mais um) dos presentes para ser aprovada.

    Depois, segue ao plenário do Senado, onde Messias precisa de 41 votos dos 81 senadores para ser aprovado.

    Painel de votos

    Crédito, Senado Federal

  5. Messias se compromete a publicar agenda se aprovado

    Messias voltou a defender a proposta de Edson Fachin de um Código de Ética para os ministros do STF.

    "Meu compromisso sempre será com o aperfeiçoamento do sistema de Justiça. Tenho total engajamento com a ampliação da transparência e prestação de contas", disse. Ele se comprometeu a publicar a sua agenda caso seja aprovado.

    "Quero assumir, perante vossas excelências, um compromisso: independentemente da aprovação ou não do código de ética, caso vossas excelências me deem essa confiança, comprometo-me a publicar integralmente minhas agendas, com nome das partes, processos, temas que irei tratar e compromissos acadêmicos."

  6. Moro interrompe fala de Messias: 'Não respondeu minha pergunta'

    Fugindo ao protocoloco da sabatina, Sérgio Moro interrompeu a fala de Messias para reiterar perguntar sobre possível censura a comparações entre Lula e Nicolás Maduro, presidente deposto da Venezuela.

    Moro disse que Messias não respondeu totalmente à sua pergunta, mas o sabatinado afirmou que não compete a ele falar sobre a agenda de política externa do Brasil.

  7. Messias: 'Ninguém está imune a erro'

    Messias começa o turno de resposta com a pergunta sobre sua tese de doutorado. "Quando eu coloco a discussão sobre o processo de impeachment e qualifico como golpe de 2016, claramente coloco na perspectiva política de uma parte da sociedade brasileira que assim o entendeu. Em momento algum desqualifico o processo insitucional levado a cargo por esse Parlamento."

    Sobre liberdade de experessão, Messias defendeu que o melhor espaço para que o tema seja tratado é o Congresso.

    "Ninguém está imune a erro. Toda vez que estamos diante de um debate difícil que é o tema de liberdade de expressão, direito à crítica, você entra em uma zona 'gris', que pode levar o operador de direito a tomar decisões que não são as melhores."

  8. Marco temporal das terras indígenas é tema de sabatina

    Após a exposição de Carvalho, que usou seu espaço para defender a aprovação de Messias, o senador Jayme Campos (União-MT) perguntou sobre o marco temporal, tese jurídica que tenta limitar os direitos territoriais indígenas.

    "O setor produtivo do Mato grosso enfrenta crescente insegurança jurídica dianta da controvérsia sobre marco temporal das terras indígenas", afirmou. "Caso venha integrar o STF, vossa excelência entende que a corte deve prestigiar situações consolidade de boa fé dos produtores rurrais?", questionou. O senador também perguntou sobre a rodovia Ferrogrão.

  9. Moro diz que 'não é momento do preenchimento dessa vaga ao STF'

    Moro finalizou seus questionamentos com uma pergunta sobre o procedimento de asistolia fetal e afirmou que acredita não ser o momento de a vaga do STF ser ocupada.

    Após a fala do senador da oposição, Rogério Carvalho (PT-SE) faz suas perguntas. O petista fez um discurso a favor do sabatinado. "Acredito que esse Senado não vai incorrer no erro de praticar a antidemocracia."

  10. Moro pergunta a Messias sobre 'patrulhamento da internet'

    Após três horas de sabatina, Eliziane Gama (PSD-MA) pediu abertura do painel de votação.

    Na sequência o senador Sergio Moro (PL-PR) faz perguntas com base na tese de doutorado de Jorge Messias, questionando sobre o que ele chamou de "golpe de 2016" no estudo. "Essa pergunta é importante porquue temos várias pessoas na CCJ que votaram a favor do impeachment".

    Moro também perguntou sobre o papel do Judiciário no combate à desinformação e "patrulhamento da internet". O senador do PL também perguntou do parecer favorável da AGU da ação da inconstitucionalidade proposta pelo PCdoB contra a lei das estatais.

  11. 'Aprovei o primeiro código de ética da AGU', diz Messias

    Em resposta aos questionamentos feitos pelo senador Camilo Santana (PT-CE), Jorge Messias diz que qualquer medida que possa servir para aperfeiçoar o trabalho do STF é bem-vinda.

    O indicado ao STF também ressaltou seu trabalho como o primeiro advogado-geral da União a aprovar o primeiro código de ética e de conduta da instituição. "Fiz isso de forma participativa, dialóigica, respeitando todos os nosso advogados", afirmou

    "Este é o meu compromisso de vida", disse ainda.

  12. Fraudes no INSS representam 'um dos capítulos mais tristes da história desse país'

    Messias disse que as investigações sobre as fraudes no INSS representam "um dos capítulos mais tristes da história desse país", ao responder às perguntas do senador Marcio Bittar (PL-AC).

    O indicado ao STF disse ainda ter muito orgulho de seu trabalho na AGU desde que a fraude foi revelada.

    Sobre a questão dos honorários advocatícios, mencionada também pelo senador Bittar, Messias diz que considerou o julgamento do STF correto ao limitar o pagamento de honorários e submeter esse pagamento ao teto constitucional.

    Messias ainda voltou a se emocionar ao falar dos seus pais e da sua trajetória. "Eu sou um privilegiado porque ascendi pela universidade pública, pelo vestibular. Me formei trabalhando."

  13. 'Processo penal não é ato de vingança'

    Jorge Messias começa respondendo às perguntas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

    Sobre os condenados pelo 8 de janeiro, o advogado-geral da União diz que o processo penal sempre carrega uma "tragégia pessoal e familiar".

    "Eu quero dizer que, o 8 de janeiro, como pude declarar, acho um dos episódios mais tristes da história recente e acho que fez muito mal ao país", disse.

    "Processo penal não é ato de vingança. É ato de justiça. O sucesso do sistema penal não está em prender mais, mas em reduzir a criminalidade", continuou Messias.

    Messias afirma, porém, que essas questões ainda podem ser submetidas à juridicação do STF e, portanto, não responderá em detalhes para não se colocar em situação de impedimento.

    Sobre o envolvimento do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) no âmbito das investigações sobre as fraudes no INSS, Jorge Messias garantiu que, em sua atuação na AGU, pediu o bloqueio das contas da instituição e citou o processo em que a determinação foi registrada.

    Sessão na CCJ

    Crédito, Geraldo Magela/Agência Senado

  14. Senador Camilo Santana questiona sobre imparcialidade e caso Master

    O senador Camilo Santana (PT-CE) toma a palavra. Ele começa elogiando o longo currículo de Jorge Messias, além de sua capacidade de conciliação e dedicação ao diálogo.

    Ele também fez duas indagações a Messias, uma delas sobre a imparcialidade dos ministros do STF e o envolvimento de alguns magistrados com investigados no caso do banco Master.

  15. Senador Marcio Bittar faz as suas perguntas

    Agora, o senador Marcio Bittar (PL-AC) faz as suas perguntas.

    Bittar começa defendendo a ideia de que a indicação para o STF deveria aguardar a definição das eleições presidenciais marcada para outubro deste ano, de forma que próximo presidente possa fazer a escolha.

    O senador também fez perguntas sobre os condenados do 8 de janeiro de 2022, o escândalo do INSS e honorários recebidos por Messias como AGU.

    Bittar também adiantou, em sua fala, que deve votar contra a indicação de Messias ao STF.

  16. Flávio Bolsonaro questiona sobre 8 de janeiro e escândalo do INSS

    O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) toma a palavra para fazer seus questionamentos.

    Ele volta a mencionar as condenações de envolvidos na trama golpista e na tentativa de golpe de 8 de janeiro, expondo casos específicos em que considera ter havido injustiças. "O senhor acha que essas pessoas são de fato uma ameaça à democracia?", questionou.

    Flávio Bolsonaro também pergunta se Messias concorda que um ministro do STF pode interferir no Congresso, citando a PL da Dosimetria das penas para crimes dos atos golpistas.

    O senador ainda questionou sobre o escândalo do INSS, que é investigado por suspeitas de desvios de bilhões de reais de aposentados e pensionistas.

    Flávio questiona Jorge Messias sobre sua decisão de, como AGU, não bloquear as contas de algumas associações que foram citadas em investigação da Polícia Federal sobre as fraudes no INSS, entre elas uma associação que tem como vice-presidente o irmão do presidente Lula.

  17. 'Justiça sem misericórdia é tirania'

    Jorge Messias toma a palavra e começa respondendo às perguntas do senador Magno Malta (PL-ES).

    Sobre as condenações de envolvidos na trama golpista e na tentativa de golpe de 8 de janeiro, Messias disse que o grande desafio dos juízes é a proporcionalidade.

    "A Justiça caminha ao lado da misericórdia. Justiça sem misericórdia é tirania", disse.

    O AGU afirmou ainda que, durante uma entrevista após os episódios de violência, se enganou ao afirmar que havia pedido a prisão preventiva dos envolvidos. Segundo Messias, ele se corrigiu posteriormente, esclarecendo que se tratou de um pedido de prisão em flagrante.

    Jorge Messias também tratou novamente dos casos previstos em lei para a realização do aborto. O advogado disse ser contra qualquer forma de aborto, mas afirmou que magistrado do STF seguirá o que está determinado na legislação brasileira, reconhecendo os casos de risco à vida da genitora, de estupro ou de anencefalia.

    "Gostaria de voltar a repetir nenhum método que interrompa a gravidez pode ser considerado aceitável. Todo ele é uma tragédia humana. O que nós não podemos ignorar é que o Estado de Direito submete a mim como um operador do direito".

    Messias segue respondendo às perguntas do senador Fabiano Contarato (PT-ES).

    Sobre os pagamentos além do teto constitucional, afirma que "todo ocupante de função pública deve estar submetido ao teto constitucional. E hoje nós temos um único teto constitucional."

  18. Senadora Eliziane Gama faz a sua exposição

    Agora, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) faz a sua exposição. Ela defende a indicação de Jorge Messias pelo presidente Lula, destacando seu comprometimento com a democracia e o Estado laico.

    Ela também descorre sobre a importância do reconhecimento da fé da população brasileira e representação dos evangélicos nos espaços públicos.

  19. Senador Fabiano Contarato questiona sobre fim da escala 6x1 e outros temas

    O senador Fabiano Contarato (PT-ES) toma a palavra. A CCJ definiu que três senadores se pronunciarão para fazer suas perguntas, para que depois Jorge Messias as responda de uma só vez.

    Contarato questionou a ideia defendida por outros congressistas de que o STF tem exercido o papel de "legislador". Segundo ele, isso só acontece diante da omissão do Congresso brasileiro.

    Ele também questiona Messias sobre sua visão em relação à união civil e à adoção entre casais do mesmo sexo, o fim da escala 6x1, o papel do STF diante de temas ligados à Justiça do Trabaho e o que chamou de "o esvaziamento da competência" de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI).

  20. Senador Magno Malta faz seus questionamentos

    O senador Magno Malta (PL-ES) toma a palavra e questiona Jorge Messias sobre sua visão em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

    Malta chama Moraes de "tirano" e questiona as prisões e condenações dos indivídos envolvidos na invasão e destruição dos prédios do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF).

    O senador pede que Messias esclareça sua posição sobre as penas decretadas, que classificou como injustas em seu discurso.