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Astronautas da Artemis 2 batem recorde de distância da Terra e observam eclipse solar total
A tripulação da Artemis 2 quebrou nesta segunda-feira (6/4) o recorde de maior distância da Terra percorrida por humanos.
A marca anterior pertencia à tripulação da Apollo 13, que em 1970 se distanciou 400.171 quilômetros do planeta.
"Fazemos isso em homenagem aos esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores na exploração espacial humana", afirmou um dos astronautas.
Ele também desafiou esta geração e a próxima "a garantir que este recorde não dure muito tempo".
No sábado (4/4), Agência Espacial Americana (Nasa) compartilhou uma nova leva de imagens feitas pela tripulação da Artemis 2, enquanto a espaçonave Orion seguia viagem até a Lua.
As fotografias mostravam os astronautas Christina Koch e Reid Wiseman observando a Terra. Imagens anteriores, divulgada na sexta-feira, eram centradas no planeta em si.
A tripulação é formada por Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da Nasa, e por Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.
Os principais marcos da missão até agora
A missão, com duração de dez dias, encerra um intervalo de 54 anos desde a última vez em que seres humanos orbitaram a Lua.
Veja outros outros momentos-chave da Artemis 2:
1º de abril: O foguete foi lançado ao espaço às 19h35 do horário de Brasília, a partir do Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, no estado americano da Flórida;
2 de abril: Por videoconferência, a astronauta Christina Koch mencionou um pequeno problema com o vaso sanitário, e a Nasa anunciou que um duto de ventilação de águas residuais havia entupido;
3 de abril: A Nasa compartilhou as primeiras imagens de alta resolução da Terra, tiradas pelos astronautas enquanto passavam pelo ponto intermediário entre a Terra e a Lua;
6 de abril: A Nasa disse que a espaçonave entrou, à 1h38 do horário de Brasília, na esfera de influência lunar — o ponto em que a força gravitacional da Lua se torna mais forte do que a da Terra.
Em seguida, quebrou o recorde de maior distância da Terra. Ainda nesta segunda-feira, os quatro astronautas ficaram isolados por cerca de 40 minutos, pois a Lua bloqueou a comunicação entre a espaçonave e o planeta.
A tripulação depois observou um eclipse solar, com duração de 35 minutos. A Orion ficou posicionada no local exato para que a Lua bloqueasse a visão do Sol para a tripulação, revelando a tênue atmosfera externa da estrela, a chamada coroa solar, como um halo brilhante ao redor de um disco lunar escurecido.
Como a tripulação se preparou para visitar a Lua
A tripulação acordou ao som de Pink Pony Club, da cantora Chappell Roan, no sábado.
À noite, os astronautas concluíram uma demonstração de pilotagem manual e revisaram o plano de sobrevoo lunar, encerrando o quarto dia da missão e o terceiro dia completo no espaço.
Koch e Hansen se revezaram no controle da Orion para testar seu desempenho no espaço profundo, a partir das 22h09 do horário de Brasília. Durante 41 minutos, a dupla testou dois modos de propulsão, fornecendo aos engenheiros da Nasa mais dados sobre as capacidades de pilotagem.
O comandante Reid Wiseman e o piloto Victor Glover devem repetir a demonstração no oitavo dia de voo (quarta-feira, 9 de abril), para ampliar a coleta de informações sobre a espaçonave.
Os astronautas também revisaram uma lista de características da superfície lunar que deverão registrar e analisar, a pedido de cientistas da Nasa, durante o sobrevoo de seis horas na segunda-feira.
O batismo de crateras
O comandante da Artemis 2, Reid Wiseman, disse a Kelsey Young, repórter da Nasa, que a tripulação gostaria de nomear algumas crateras na Lua que eles conseguem ver "tanto a olho nu quanto com lente teleobjetiva".
Ele pediu à Nasa que nomeasse uma delas em homenagem à sua esposa, Carroll, que morreu de câncer em 2020.
Eles batizaram outra cratera de Integrity, em homenagem à espaçonave Orion que os levou ao lado oculto da Lua.
"Há alguns anos, começamos esta jornada e perdemos um ente querido. Há uma formação em um lugar realmente interessante na Lua. Em certos momentos do trânsito da Lua ao redor da Terra, poderemos vê-la da Terra", disse ele.
O comandante da missão Apollo 13, Jim Lovell, também nomeou uma cratera em homenagem à sua esposa, que tinha falecido, durante a missão de 1970.
Astronautas viram eclipse do espaço
Ao fim do sobrevoo na órbita da Lua, os astronautas observaram um eclipse solar do espaço, quando a espaçonave Orion, a Lua e o Sol se alinharam. Eles viram o Sol desaparecer atrás da Lua por cerca de 35 minutos.
Durante esse período, a Lua esteve quase toda escura, permitindo a análise da coroa solar — a camada mais externa da atmosfera do Sol, que só se torna visível quando a Lua bloqueia a luz solar, formando um halo ao redor do Sol.
O astronauta da Nasa Victor Glover descreveu o que viu durante o eclipse solar como "ficção científica" e "surreal".
As missões paralelas da Artemis 2
A missão Artemis 2 também teve atividades voltadas a entender como os sistemas da espaçonave e da tripulação, além de amostras biológicas, respondem ao ambiente do espaço profundo.
Um experimento científico levado na Orion, chamado Avatar, transportou células de medula óssea derivadas de amostras de sangue da tripulação, para que os pesquisadores estudem a resposta do sistema imunológico humano ao espaço.
Além disso, a Agência Espacial Alemã (DLR) forneceu à Nasa sensores de radiação M-42, instalados na Orion. Esses dispositivos ajudam a caracterizar os níveis de radiação aos quais a espaçonave estará sujeita.
Por fim, os astronautas utilizaram dispositivos de actigrafia — sensores semelhantes a relógios que coletam dados de saúde — e responderam a questionários periódicos sobre as condições a bordo.
Essas medidas devem ajudar a Nasa a aprimorar a eficiência da tripulação em missões futuras.
As imagens espetaculares da Terra
Reveja, abaixo, a primeira leva de imagens do planeta Terra feitas pelos astronautas da missão Artemis 2, divulgadas pela Nasa na sexta-feira.