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Cirurgia de Bolsonaro no ombro é concluída; entenda quadro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi submetido a uma cirurgia no ombro direito esta sexta-feira (1/5) no hospital DF Star, em Brasília. O procedimento tinha como objetivo reparar o manguito rotador e outras lesões associadas.
Ele havia sido internado nesta manhã e, por volta das 14h, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) postou em suas redes sociais a informação de que a cirugia já havia terminado e que o ex-presidente já estava em um leito do hospital.
O boletim médico divulgado pelo hospital diz que a cirurgia ocorreu sem intercorrências.
"O hospital DF Star informa que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro foi submetido a cirurgia de reparo artroscopico do manguito rotador a direita, sem intercorrências. No momento encontra-se internado em unidade de internação para controle de dor e observação clínica", diz o boletim.
A cirurgia foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no âmbito da execução penal em que Bolsonaro cumpre uma sentença.
Segundo decisão judicial, a necessidade da cirurgia foi comprovada por relatórios médicos que apontam dores recorrentes e intermitentes no ombro, tanto em repouso quanto durante movimentos.
De acordo com o ortopedista Alexandre Firmino, exames pré-operatórios foram realizados para garantir a segurança do procedimento.
A defesa do ex-presidente havia solicitado autorização para a cirurgia em abril, inicialmente com previsão de realização nos dias 24 ou 25.
A Procuradoria-Geral da República se manifestou favoravelmente ao pedido, sem objeções, o que foi considerado pelo STF ao autorizar a intervenção.
Na decisão, Moraes também determinou medidas de segurança e acompanhamento durante a internação.
Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária temporária, deve permanecer sob vigilância, com escolta da Polícia Militar do Distrito Federal no trajeto até o hospital e durante todo o período de internação.
As visitas foram suspensas, com exceção da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, autorizada a acompanhá-lo.
Após o procedimento, a defesa deverá apresentar um relatório médico detalhado em até 48 horas .
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe, Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o fim de março, por decisão do STF que levou em conta seu estado de saúde após um quadro de broncopneumonia.
O benefício tem duração inicial de 90 dias e prevê monitoramento contínuo por meio de relatórios médicos semanais .
A internação foi confirmada publicamente por Michelle Bolsonaro, que afirmou estar a caminho do hospital com o ex-presidente e pediu apoio de seguidores nas redes sociais.
O que é a lesão no manguito rotador e como é a cirurgia
O manguito rotador é um conjunto de músculos e tendões responsáveis por estabilizar o ombro e permitir movimentos como levantar e girar o braço. Lesões nessa região são comuns, especialmente com o envelhecimento ou após esforço repetitivo, e podem causar dor persistente, fraqueza e limitação de movimento.
No caso de Bolsonaro, relatórios médicos sugerem comprometimento funcional da articulação.
"As lesões do manguito rotador são uma das principais causas de dor no ombro e podem provocar tanto dor quanto disfunção. O paciente pode apresentar dificuldade para realizar movimentos e também fraqueza. Durante o procedimento, esses tendões são reinseridos e fixados ao osso, para que possam recuperar sua função", explica Eduardo Malavolta, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC).
Segundo o médico, a cirurgia costuma ser indicada em casos mais graves, quando há ruptura completa de um ou mais tendões, ou quando o tratamento conservador, como a fisioterapia, não apresenta resultado. Entre as técnicas disponíveis, estão o reparo aberto e o artroscópico.
"O artroscópico, que é feito com pequenas incisões e auxílio de câmera, semelhante a outros procedimentos minimamente invasivos, é hoje o mais utilizado. Nesse tipo de cirurgia, os tendões são fixados ao osso com o uso de âncoras, que funcionam como pequenos dispositivos de fixação."
Malavolta aponta que a recuperação não costuma ser rápida, especialmente em lesões maiores e em pacientes mais idosos.
"Em geral, é necessário um período de cerca de seis semanas de imobilização, com uso de tipoia, seguido por fisioterapia prolongada — normalmente por pelo menos quatro meses. A recuperação completa pode levar cerca de seis meses, exigindo dedicação do paciente ao processo de reabilitação."