<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<?xml-stylesheet title="XSL_formatting" type="text/xsl" href="/blogs/shared/nolsol.xsl"?>

<rss version="2.0" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/">
<channel>

<title>
Blog do Editor
 - 
Rodrigo Durão Coelho
</title>
<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/</link>
<description>O comando da BBC Brasil discute grandes temas internacionais, mídia e o jornalismo da BBC.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Fri, 07 Sep 2007 18:57:19 +0000</lastBuildDate>
<generator>http://www.sixapart.com/movabletype/?v=4.33-en</generator>
<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs> 


<item>
	<title>A fria do inferninho</title>
	<description><![CDATA[<p>Meu amigo Pedro trabalhava em frente a um inferninho - uma casa de strip-tease -  do centro de Londres. Em um estúdio de design gráfico descolado (fez até capa de disco do David Bowie), chique, mas no Soho, essa parte da cidade onde a vida pulula e o luxo e o lixo andam de mãos dadas, com um ar ligeiramente esnobe. <br />
Pedro me disse, certa vez, que quando ele ou outro designer iam à janela fumar um cigarro, frequentemente viam homens caírem em golpes nos tais inferninhos. </p>

<p>A coisa funcionava assim: na calçada, uma bonitinha semi-nua atraía as vítimas com um sorriso e perguntando se eles “queriam ver garotas nuas”. Um cartaz na entrada anunciava que a admissão custaria módicas cinco libras. ‘Tudo bem’, pensaria o incauto. Lá dentro, entrava em um cubículo onde se deparava com um longo e exorbitante cardápio, com drinks custando preços ridiculamente caros, porém críveis (tipo 10 ou 15 libras). Como beber é obrigatório, o cidadão pede logo qualquer coisa a contra gosto e, quando menos espera, uma cortina se abre e, através do vidro, ele vê a garota dançando nua para ele.</p>

<p>Quando termina (muito mais rápido do que deveria, dizem), o cliente recebe na mesa a conta, que geralmente ultrapassa as 500 libras. Indignado com o erro, ele aponta o mal-entendido para a gerência, que por sua vez, lhe mostra o cardápio.</p>

<p>Na última linha, está escrito: dança sensual £ 493, com a ressalva de que ‘a dança começará automaticamente a menos que o cliente se manifeste’. </p>

<p>Pedro disse que cansou de ver homens de meia-idade saírem com cara de choramingo, acompanhados por seguranças enormes até caixas eletrônicos para sacar dinheiro.</p>

<p>Quem parece ter cansado também foi a sub-prefeitura da região, o <em>Council</em> de <em>Westminster</em>, que a partir desse mês passou a por em prática um sistema novo: usando tecnologia <em>Blue Tooth</em>, vão ser emitidas mensagens de celulares para pessoas em um raio de 30 metros das casas (dando nome aos bois, <em>Twilights, Illusions e Le Soho Cabaret</em>).</p>

<p>Na mensagem vai estar escrito: “Cuidado! 5 libras para entrar, 500 para sair. Criminosos operam nesse lugar. Certifique-se que você sabe o que vai receber pelo seu dinheiro”.</p>

<p>A polícia diz que não é fácil fechar as casas por falta de evidência. Em todos esses anos, apenas 41 pessoas prestaram queixa. Culpa do jeito inglês de ser, que prefere sofrer calado, estoicamente, do que botar a boca no mundo.<br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/09/a_fria_do_inferninho.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/09/a_fria_do_inferninho.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Fri, 07 Sep 2007 18:57:19 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Velhice veloz</title>
	<description><![CDATA[<p>A primeira vez que vi uma dessas <em>mobility scooters</em>, ou MS (foto), foi lá pelos idos do final do século.<img alt="mob.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/mob.jpg" width="203" height="203" /> Um vizinho meu, idoso, costumava sair sozinho para passear de madrugada em uma delas e geralmente acabava atolado em alguma lombada, com o motor girando, nervoso, mas sem sair do lugar até que a enfermeira o recolhesse.</p>

<p>Ultimamente, tenho reparado que a cidade anda cheia dessas MS. O fato de os motoristas não serem aparentemente tão velhos ou obesos me fez imaginar se isso não seria mais uma das manias do sistema de saúde daqui, uma espécie de moda: médicos que passam a receitar indiscriminadamente os veículos e pacientes que se vêem de uma hora para outra compelidos a ganhar uma.</p>

<p>E, perto da minha casa, tenho visto veteranos da terceira idade descendo as ruas velozmente, no comando desses veículos. A velocidade máxima original de fábrica de pouco mais de 10km/h tem aumentado bastante pelas ladeiras de Denmark Hill. O que me fez questionar se o mito da velhice como uma época de movimentos lentos, placidamente inofensiva, não poderia ser em breve destruído pela tecnologia.</p>

<p>O sorriso jovial no rosto do nonagenário do meu bairro, e de outros que tenho visto, não deixa dúvidas de que eles estão sendo fiéis à sua natureza, não se conformando a uma vida artrítica em câmera lenta, onde o maior desafio do dia é conseguir ir ao supermercado sem cair.</p>

<p>Será que o instinto veloz de um Ayrton Senna teria sido completamente aplacado pelos anos, se ele tivesse vivido até as vésperas de completar um século?</p>

<p>Talvez esses ainda sejam tempos românticos nos quais os emburrados legisladores ainda não tiveram a chance de arruinar a diversão da velharada impondo regras, restrições, exames de vista e velocidades máximas. Nesse contexto, os audaciosos idosos que descobriram o potencial dessas motinhos seriam desbravadores em um mundo ainda sem leis. Ou talvez as leis já existam e faltem apenas emburrados patrulheiros pelos bairros da cidade.</p>

<p>Mas, pelo visto, cada vez mais gente descobriu um novo prazer na terceira idade, a época em que muitos já não ligam para as convenções sociais, mas com freqüência não têm mais os meios para quebrá-las.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/post_7.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/post_7.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Mon, 27 Aug 2007 20:41:14 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Eita Pete Doherty...</title>
	<description><![CDATA[<p>... Então Pete Doherty foi banido de Londres. Caraca! De onde saiu isso? Só mesmo aqui para alguém que é considerado um ícone desse começo de século receber uma sentença que soaria normal se fosse proferida durante a Idade das Trevas. Naqueles dias sem mapas ou estradas, o exílio era ‘pior do que a morte’, uma vida solitária e sem esperanças, onde a única certeza era o perigo rondando a cada passo pelas florestas escuras.</p>

<p>Não que esses sejam tempos mais humanos. Afinal, alguns poderiam dizer que se criaram novos castigos ‘piores que a morte’ para os célebres, como a indiferença pública, por exemplo. <br />
<img alt="pete.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/pete.jpg" width="203" height="300" /><br />
Mas Doherty, famoso por manter casos amorosos públicos, tanto com a modelo mais famosa do país como com drogas ilegais como heroína e crack, recebeu a sentença como se fosse um benefício. Ao contrário das hostis batidas policiais de décadas atrás, quando até o dócil Paul McCartney se deu mal, o juiz do caso entendeu que os animais perigosos e as armadilhas letais para Doherty se encontram em Londres. Sendo assim, o exílio. Por um mês, para desintoxicar.</p>

<p>Além de se preocupar com a integridade física do rapaz, um efeito colateral da leniente sentença é dar uma forcinha para a sua carreira. Ultimamente, ter problemas com a justiça melhora bem o CV de uma celebridade. Paris Hilton que o diga. Confere profundidade ao personagem.</p>

<p>Não que o músico (sim, ele é músico) precise disso. Muita gente gabaritada o classifica de genial. Embora eu me pergunte quantos dos que estão familiarizados com suas peripécias seriam capazes de lembrar de alguma de suas poucas músicas de três acordes. Não que fazer músicas com três notas seja um problema. Lennon, Syd Barrett e Joe Strummer já provaram que se pode ser genial com até menos. Na verdade, não que não se lembrar de uma música dele seja um problema. Tem horas que isso parece até um problema a menos. </p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/eita_peter_doherty.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/eita_peter_doherty.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Wed, 08 Aug 2007 21:17:55 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Em defesa do sistema de saúde</title>
	<description><![CDATA[<p>E como disse a Mônica no primeiro dos seus polêmicos posts, o sistema de saúde daqui É RUIM. Ou pelo menos, isso é o que se costuma ouvir.</p>

<p>Quando eu e minha mulher decidimos ter filho nesse país, nos preparamos para o pior. Ouvimos relatos de terrror, drama, suspense e até de humor negro.‘Se preparem para os açougueiros’, diziam, com um sorriso cansado de quem sabe. De quem já viu o pior.</p>

<p>Qual não foi nossa surpresa e alívio (principalmente o dela) ao vermos que a coisa não foi nada assim. Em linhas gerais, a face do sistema que vimos foi uma sem frescuras, atenciosa e competente.</p>

<p>Dentro desse cenário positivo (e totalmente gratuito), destaque absoluto para a figura benigna da midwife, que no Brasil, seria o equivalente à parteira. Na maioria das vezes, o rebento não chega ao mundo pelas mãos dos médicos, mas sim delas. Antes que os pêlos das nucas se ericem e a indignação avermelhe a cara de um ou outro, é bom ressaltar que elas estão muito mais para competentes profissionais da medicina do que comadres com um grande acervo de simpatias. </p>

<p>As <em>midwifes</em> acompanham a <em>preggie</em> (como a gestante pode ser carinhosamente chamada por essas bandas) durante a gravidez, conhecendo-a e fazendo acompanhamento médico e psicológico. Fazem o parto, natural, sem cortar desnecessariamente a pança das prenhas. Cesariana não é opção do paciente. O médico (aí sim, tem médico) só faz isso se existir risco para a mãe ou bebê. </p>

<p>E não há por aqui a velha história do "cordão umbilical enroscado em torno do pescoço" que justifique uma cesária. A midwife mesma desenrosca esbanjando experiência e habilidade.</p>

<p>Nos dias seguintes ao parto, elas visitam as residências, verificando se está tudo bem e dando dicas preciosas às mamães de primeira viagem.</p>

<p>Pois bem, foi esse o pacotão a que tivemos acesso em um hospital do sul de Londres. Ele vem se mostrando bem-sucedido a ponto de o governo desejar expandi-lo para todo o país. Tomara. E tomara também que troquem o termo <em>midwife</em>. Porque, apesar de todas as benesses trazidas na prática, o termo não ajuda. Soa sexista e ultrapassado, algo como ‘meia-esposa’ (não é, significa ‘com’ a esposa).<br />
<img alt="juju.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/juju.jpg" width="240" height="180" /><br />
Que o diga um cidadão que se apresentou como midwife no hospital. A cara de assustado e a prontidão com a qual sacou o crachá para provar que ele era realmente um <em>midwife</em> me convenceram de que o rapaz tinha que trabalhar dobrado para vencer os preconceitos que o nome carrega. </p>

<p>O nome da atividade é triste mas ela vale a pena. E muito.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/em_defesa_do_sistema_de_saude.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/08/em_defesa_do_sistema_de_saude.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Wed, 01 Aug 2007 15:45:06 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Enfim, um atacante</title>
	<description><![CDATA[<p>E parece que a mandinga ensinada pelo leitor Wanderley, no post anterior, funcionou. O sol vem brilhando na ilha da Família Adams desde o final de semana. Grande Wanderley.</p>

<p>De longe, pode parecer que o habitante daqui, que gosta de esporte, não teria do que reclamar do final de semana. Teve uma das finais de Wimbledon mais emocionantes dos últimos anos, GP de F1 em Silverstone com o moleque sensação e até a corrida de bicicletas mais famosa do mundo, a Volta da França, passou pela cidade. Mas estaria errado. Falta futebol.</p>

<p>Bem disse o amigo aí embaixo que o verão é o auge da vida, aqui em Londres. Como se os outros meses fossem só coadjuvantes. Tanto que, quando dá chabu, a vontade é pedir o dinheiro de volta. Mas, mesmo quando ele brilha glorioso, existe a sensação de que falta alguma coisa. Falta futebol.</p>

<p>Mesmo assistir à Copa América às vezes beira a aventura. Em 2005, vi o torneio de um bar latino em Finsbury Park que fechava suas portas e, clandestinamente, passava os jogos pela madrugada. A volta para casa, com os dias quase amanhecendo, me parece uma coleção de memórias oníricas e imprecisas. É preciso ter raça para fazer um negócio desses. </p>

<p>Tudo bem que de vez em quando acontece uma Copa do Mundo ou Eurocopa para tornar a vida mais completa. Mas como não é o caso nesses anos ímpares, só resta especular sobre o futuro. </p>

<p>O campeonato inglês desse ano promete ser acima da média. Além dos quatro principais times (Manchester United, Arsenal, Chelsea e Liverpool) estarem gastando com gosto para trazer bons jogadores, vai ser divertido acompanhar o Manchester City. O time foi comprado por um milionário tailandês (que, por sinal, era primeiro-ministro do país e está sendo procurado lá por corrupção) e contratou o técnico Sven Goran Eriksson. O sueco se tornou uma das pessoas mais desprezadas pelos ingleses depois da performance na última Copa do Mundo. Existe algo sugerindo que os jogos do time vão ser divertidos de se assistir.</p>

<p>Mas uma das maiores novidades é que, enfim, vamos ter um goleador brasileiro jogando em um time de ponta. Não como a infeliz passagem de um Jardel já fora de forma pelo Bolton. Ou mais um volante ou defensor.</p>

<p>O atacante Eduardo da Silva tem só 24 anos e marcou 31 gols na temporada passada, jogando pelo Dínamo Zagreb, da Croácia. Ao que tudo indica, agora ele vai substituir o grande Henry no comando de ataque do Arsenal.<br />
 <img alt="edu.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/edu.jpg" width="203" height="152" /><br />
Os ingleses adoram gostar do futebol brasileiro mítico. Do drible, das cores, da Copa de 82. Apesar de ser um dos lugares que melhor paga os craques, os campos ingleses vêem pouco dos nossos compatriotas. Culpa, talvez, de leis do país, que dificultam a permissão de trabalho para quem não é europeu. Quem sabe agora eles vão poder ver um pouco do talento brasileiro marcando gols e decidindo campeonatos?</p>

<p>A bem da verdade, o novo atacante do Arsenal não é exatamente brasileiro. Eduardo desistiu disso há algum tempo e defende agora a camisa quadriculada da Croácia. Mesmo assim, está valendo. Como bem sabe quem conhece o verão daqui, não se pode querer tudo. Vem com fé, Eduardo!</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/07/enfim_um_atacante.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/07/enfim_um_atacante.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Tue, 10 Jul 2007 22:50:22 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Muito barulho por nada</title>
	<description><![CDATA[<p>Além do aroma de frango frito, outra característica dos ônibus do sul de Londres é, cada vez mais, o som de pequenos aparelhos tocadores de MP3. Na verdade, isso vem acontecendo na cidade toda.</p>

<p>O hábito havia começado com a popularização dos celulares com tocadores de MP3, a ponto do prefeito, Ken Livingstone, <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/england/london/6175604.stm ">ordenar</a>, em novembro, a proibição de todo e qualquer objeto sonoro nos ônibus. Não aconteceu muita coisa, dizem, por falta de gente para fazer valer a lei.</p>

<p>Mas a moda passou a bombar de verdade desde que o mesmo Livingstone liberou a passagem para menores de 16 anos, a partir de junho. Estatísticas dizem que os crimes e infrações cometidos por jovens mais que <a href="https://bbcbreakingnews.pages.dev/london/content/articles/2007/05/30/bus_crime_video.shtml">dobraram </a>nesse período. <br />
<img alt="Rbus.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/Rbus.jpg" width="300" height="400" /><br />
Geralmente, só dá para se ter uma boa definição da música que sai desses pequenos tocadores se o ouvinte está situado a menos de meio metro de distância deles. Mais do que isso, o som se torna confuso e estridente. Muito agudo.</p>

<p>Muita gente pode achar que nestas condições, voltando cansado do trabalho em um ônibus lotado, pode não ser a melhor situação para se ouvir hip hop. </p>

<p>E tem reclamado... online. Após um ano coletando assinaturas na internet, um casal conseguiu fazer com que a empresa de ônibus da cidade trocasse os cartazes dentro dos veículos. </p>

<p>Antes eles sugeriam para os passageiros manterem seus aparelhos com um som baixo. Agora, vão pedir para que as pessoas não ouçam música em volume alto.</p>

<p>O casal se diz <a href="http://news.bbc.co.uk/1/hi/england/london/6680687.stm ">satisfeito</a> com o resultado. Talvez os mais de 3 mil que assinaram a petição não estejam muito. </p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/musica_nos_onibus.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/musica_nos_onibus.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Tue, 26 Jun 2007 15:08:46 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>É de graça. E sem pegadinha.</title>
	<description><![CDATA[<p>Um site que dá, gratuita e diariamente, TVs, bicicletas, móveis, livros, instrumentos musicais e uma infinidade de coisas. Parece mentira, mas não é. <img alt="freecycleh.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/freecycleh.jpg" width="200" height="118" />Trata-se do <em>freecycle</em>, um fórum de internet onde milhares de pessoas anunciam coisas que não querem mais em casa, mas não querem se dar ao trabalho de vender e acreditam que seria um desperdício se elas terminassem no lixo.</p>

<p>Os interessados só têm o trabalho de entrar em contato, checar se o item ainda está disponível e ir buscá-lo. </p>

<p>A iniciativa surgiu nos EUA como uma maneira de estimular a reciclagem e diminuir o lixo nos depósitos. Deu certo e foi exportada. Hoje vários países já contam com suas versões, inclusive o Brasil. O freecylcle também começa a decolar em São Paulo,  embora ainda conte somente com pouco mais de 150 integrantes. O grupo paulista ainda está longe de competir com a quantidade da oferta que existe em outras cidades.</p>

<p>Em Londres, existem diversos freecycles, divididos por bairros, talvez para facilitar a coleta. Os interessados podem se inscrever em quantos desejarem, bastando ter uma conta de e-mail do Yahoo (o freecycle é do grupo do Yahoo). E recomenda-se abrir uma específica para isso, já que, diariamente, são centenas de e-mails recebidos, com ofertas. Em três dias sem checar e-mail, eu tinha mais de 900 mensagens não lidas. </p>

<p>É por essas e outras que a vida de pobre em Londres vai ficando cada vez mais rica. Quem tem paciência para filtrar toda a tralha anunciada pode mesmo mobiliar todo um apartamento ou só ir pegando, de graça, inutilidades que sempre quis.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/e_de_graca_e_sem_pegadinha.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/e_de_graca_e_sem_pegadinha.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Wed, 20 Jun 2007 21:13:31 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O que vai ser do Elefante?</title>
	<description><![CDATA[<p>Até onde eu sei, na maioria das enquetes para se eleger o local mais feio de Londres, Elephant & Castle é finalista. Seja por culpa das sinistras passagens subterrâneas para pedestres, dos prédios erguidos em uma arquitetura que era futurista nos anos 60 e envelheceu mal, dos enormes prédios estilo BNH onde moram gangues de baderneiros, do shopping center pintado de vermelho que abriga lojas de quinta categoria ou da galera que freqüenta o local, o fato é que a área é pouco cotada.</p>

<p>Mas fica perto do rio Tâmisa. Como é ainda na Zona 1, e portanto considerada zona central de Londres, era um contra-senso deixá-la abandonada. Então vai acontecer um amplo processo de regeneração do local.<br />
 <br />
Está prevista a criação de espaços verdes, arborizados. Onde existe o shopping, a idéia é construir uma praça de 75 mil metros quadrados. Aliás, todos os exemplos citados anteriormente que denigrem a área devem ser demolidos. </p>

<p>Do meu lado, além de querer saber se esse projeto vai fazer com que eu me veja subitamente morando em uma área nobre e, conseqüentemente,<img alt="elephant2.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/elephant2.jpg" width="300" height="200" /> ver meu aluguel subir de acordo, surgiu a curiosidade sobre qual será o destino do símbolo máximo da região: a carismática estátua do elefante vermelho com a torre nas costas (foto). </p>

<p>Se um dia ela foi símbolo de ousadia <em>camp</em>, hoje poucos enxergam nela algo além de mau gosto. Tomara que eu esteja errado. Acho que ela deve ser preservada e recolocada em um local de honra... uma coisa de se preservar as raízes, talvez bregas, toscas ou equivocadas, mas autênticas.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/o_que_vai_ser_do_elefante.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/06/o_que_vai_ser_do_elefante.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Mon, 11 Jun 2007 20:13:11 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Será que o Tico deu um Teco?</title>
	<description><![CDATA[<p>Em outubro de 2005, foi publicado no <a href="http://icsouthlondon.icnetwork.co.uk/0100news/0400lambeth/tm_objectid=16217629&method=full&siteid=50100&headline=squirrels-on-crack-name_page.html">South London Press</a> (um jornal local para os moradores do sul de Londres), uma matéria dizendo que os esquilos dos parques da região estariam, provavelmente, viciados em crack. Pior, com síndrome de abstinência, eles estariam atacando os transeuntes desavisados, de garras arreganhadas em poses ameaçadoras. <img alt="squirrel_blog.jpg" src="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/squirrel_blog.jpg" width="167" height="200" /></p>

<p>Tudo porque os traficantes locais, para evitar serem enquadrados pela polícia com pedrinhas de crack nos bolsos, estariam escondendo a droga nos parques e iriam buscá-las só na hora de entregar o produto. Nesse meio tempo, os esquilos estariam encontrando as pedras. E teriam tomado gosto pela coisa.</p>

<p>A história foi amplificada pelo <a href="http://www.thesun.co.uk/article/0,,2-2005460823,00.html">The Sun </a>(o jornal mais lido do país), ganhou as páginas da imprensa mais tradicional, no <a href="http://www.guardian.co.uk/uk_news/story/0,,1587694,00.html">The Guardian </a>e até cruzou o Atlântico, com a rede americana de TV <a href="http://www.foxnews.com/story/0,2933,172612,00.html">Fox</a>.</p>

<p>Fiquei com a história na cabeça desde então. Olhava os esquilos com suspeita e ouvi a história ser repetida várias vezes em conversas com amigos. Agora, resolvi ver o que existia de verdade nela. </p>

<p>Percebi que, apesar da história ser uma delícia de fantástica, ela não resiste a uma olhada mais aprofundada.<br />
 <br />
Toda ‘evidência’ mostrada é o depoimento de um morador que prefere não se identificar. Esse anônimo, repetido em todas as matérias, afirma ‘achar’ que os esquilos estavam estranhos e se comportavam ‘como se fossem viciados em crack’. Muito pouco.</p>

<p>Liguei essa semana para o RSPCA, que é a instituição mais respeitada na Grã-Bretanha na fiscalização do bem estar dos animais, que não hesita em punir crueldade contra os bichos. Eles disseram que não têm registros sobre o caso. Informalmente, a pessoa que me atendeu sugeriu que se fosse verdade, eles saberiam de alguma coisa. </p>

<p>Tive a sensação de presenciar o fim de mais um mito urbano. Coisas da vida. Mas ainda quero saber que tipo de nozes esses esquilos andam comendo.</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/05/sera_que_o_tico_quer_dar_um_te.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/05/sera_que_o_tico_quer_dar_um_te.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Fri, 11 May 2007 14:55:57 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Ilegalidades legais da cidade</title>
	<description><![CDATA[<p>Um grupo de pessoas não gostou da atitude da prefeitura regional responsável pela região central de Londres, que vem removendo bancos para pedestres. O objetivo, dizem as autoridades, é evitar que eles sirvam de cama para sem-teto, desencorajar a aglomeração de bêbados e adolescentes malignos ou apenas criar mais espaço para as hordas de turistas.</p>

<p>Ao invés de reclamar pelos (nem sempre eficientes e quase nunca rápidos) canais legais, o grupo se vestiu como funcionários da prefeitura, arrumou alguns bancos (de madeira sólida, coisa fina) e tratou de instalá-los no centro da cidade. Cimentados no chão e tudo.</p>

<p>Londres tem uma tradição longa de atos que, embora tenham surgido como crimes ou contravenções, com o tempo foram legalizados. Talvez recolocar bancos nas ruas possa até nunca vir a ganhar legitimidade, mas o fato de alguém estar dedicando seu tempo e dinheiro no que não é óbvio, para a coletividade, não deixa de ser animador. <br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/04/ilegalidades_legais_da_cidade.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/04/ilegalidades_legais_da_cidade.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Tue, 10 Apr 2007 14:16:57 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Arte popular. Demais.</title>
	<description><![CDATA[<p>Mega chinfrim a exibição sobre a história da camuflagem que está no Imperial War Museum. </p>

<p><a href="https://bbcbreakingnews.pages.dev/portuguese/reporterbbc/story/2007/03/070321_artecamuflagemebc.shtml">Leia: Mostra em Londres revela a arte da camuflagem</a></p>

<p>O tema parecia interessante, a organização prometia 'a maior retrospectiva já feita' sobre o assunto e, um dia antes, vi na TV um documentário no qual a cantora Miss Dynamite vai até a Jamaica aprender mais sobre escravidão. Lá, ela aprende que no século XVIII os escravos fugitivos resistiram à fúria do Império Britânico usando e abusando de camuflagem como tática de guerrilha. Legal, o tema prometia. </p>

<p>Minha única ressalva era que teria pouco menos de uma hora para percorrer a mostra, o que não é muito.<br />
Mas pouco mesmo foi o que encontrei por lá. Sim, tinham coisas interessantes, mas o fato de ter visto tudo em menos de 20 minutos já diz bastante.</p>

<p>A exibição se concentra no período entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundiais. Segundo a organização, a camuflagem foi criada na década de 10, sob as nobres influências dos movimentos artísticos da vanguarda européia da época. Não vi jamaicano nenhum por lá e pouco do que aconteceu depois da década de 40 é falado. A não ser na moda. <br />
Cerca de metade (metade!) do que compõe a mostra é a respeito da influência da camuflagem na cultura popular. Um exagero. Mas, por um lado, dá para entender. </p>

<p>Há alguns anos o governo dos Trabalhistas tornou quase todos os museus da cidade gratuitos. O lado ruim disto, me disse uma amiga que foi curadora em um dos maiores museus da cidade, o Victoria & Albert, é que o governo pressiona as instituições para que elas atraiam cada vez mas visitantes. O resultado são exposições de cunho mais populista e de conteúdo um pouco mais raso.</p>

<p>Neste caso, nada contra ver criações de Gaultier, Galliano, Christian Dior e Andy Warhol, mas me irritou a sensação de que a organização parece ter pensando que fazer uma mostra apenas com a camuflagem militar seria um desperdício comercial. Do tipo, para que fazer uma exposição que tenha apelo só para homens e não algo para 'toda a família'?</p>

<p>Embora a entrada para a maioria dos museus seja gratuita, as exibições especiais como esta são cobradas. Eu ficaria com muita vontade de pedir minhas seis libras de volta, se tivesse pago o ingresso. <br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/04/arte_popular_demais.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/04/arte_popular_demais.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Wed, 04 Apr 2007 14:32:17 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Sexo irritante</title>
	<description><![CDATA[<p>É proibido matar raposas em Londres. Para se livrar delas, as empresas de prevenção de pestes as capturam e as soltam em outros pontos da cidade, geralmente no sul da cidade. Um dos pontos favoritos para isso é exatamente onde moro, Denmark Hill, onde existem muitas áreas verdes. Não são exatamente terrenos baldios, estão mais para florestas baldias. Perfeito para as raposas. </p>

<p>Quem, como eu, cresceu em São Paulo, onde os maiores mamíferos não-domesticados são as ratazanas, não podia deixar de admirar essas criaturas da noite. As via como sobreviventes teimosos, verdadeiros insurgentes urbanos que não se davam ao trabalho de agradar os humanos.</p>

<p>Os londrinos não gostam delas. São consideradas pestes, como os ratos. Uma dor de cabeça, bagunceiras de quintais que somem com uns gatos de tempos em tempos. </p>

<p>Por anos eu deixei de jogar restos de carne no lixo. Os guardava para deixar para elas na calada da noite. Me sentia solidário. Raposa is all, pensava eu. </p>

<p>Até que, por volta de um mês atrás, um grupinho delas veio morar em frente à minha casa. O problema é que o som que elas emitem quando fazem sexo faz o ruído que os gatos emitem parecer música de Bach. A primeira vez que ouvi, demorei uns longos minutos até perceber que não se tratava de uma criança sendo torturada. E elas fazem muito sexo. Toda noite, por muito tempo. </p>

<p>Clique aqui para ouvir o som de raposas fazendo sexo:<br />
<a href="https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/raposa.mp3">Download file</a></p>

<p>Dois ou três dias após a chegada do grupo, minha vizinha disse que adoraria ter uns cachorros grandes para jogar em cima delas e acabar com a festa. Me chocou a insensibilidade da moça que desejava não só acabar com a diversão alheia mas mesmo atentar contra a vida delas. </p>

<p>Mas me peguei, em noites insones, tendo fantasias assassinas contra elas. Cheguei a dormir em outra parte da casa para escapar da sinfonia dos horrores. Sonhava com um lança-chamas que me devolveria a tranquilidade. Até que um dia parou. Não sei se a natureza nômade dos bichos falou mais alto e elas levantaram acampamento ou algum vizinho com menos conflitos morais tomou uma atitude, mas o fato é que os ruídos cessaram. E o meu lado pequeno burguês respirou aliviado. Raposa is all, mas dormir é mais all ainda. <br />
</p>]]></description>
         <dc:creator>Rodrigo Durão Coelho 
Rodrigo Durão Coelho
</dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/03/sexo_irritante.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/2007/03/sexo_irritante.shtml</guid>
	<category></category>
	<pubDate>Thu, 29 Mar 2007 16:43:29 +0000</pubDate>
</item>


</channel>
</rss>

