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<title>London Talk</title>
<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/</link>
<description>Novidades, curiosidades sobre o cotidiano na capital britânica.</description>
<language>pt</language>
<copyright>Copyright 2013</copyright>
<lastBuildDate>Wed, 28 Apr 2010 16:18:10 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Uma eleição curta, discreta e diferente</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;london226.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/london226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;Esta é a primeira eleição britânica que estou presenciando desde que me mudei para cá. Mas se eu não fosse jornalista, ligado toda hora na televisão, internet e jornais, acho bem provável que talvez eu sequer percebesse a campanha eleitoral.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A campanha aqui é curta e bastante discreta. Até o começo do mês, a eleição sequer tinha data marcada. No começo de abril, o primeiro-ministro Gordon Brown convocou o pleito nacional para o dia 6 de maio. Os eleitores têm um mês para tomar conhecimento das plataformas dos candidatos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nas ruas, não existem muitos sinais da campanha. Não há cartazes colados em todo o canto e nem comícios e passeatas, como é comum no Brasil. A forma mais visível de perceber as eleições são os &quot;santinhos&quot; deixados na minha casa, mas confesso que os confundo com a quantidade enorme de propagandas de tele-entrega e pedidos de doações para caridade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A grande inovação desta disputa eleitoral tem sido os debates de candidatos na televisão, que até este pleito era inédito aqui. Mesmo sendo comuns no Brasil, eles ainda são muito diferentes do que nós brasileiros estamos acostumados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para os britânicos, o debate eleitoral já provocou uma mudança grande. Graças ao seu desempenho no primeiro debate, o liberal-democrata Nick Clegg, um azarão antes do começo da disputa eleitoral, passou a ser um dos favoritos na disputa contra o trabalhista Gordon Brown e o conservador David Cameron.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para mim, a novidade foi ver o quanto é possível distinguir as posições de cada candidato em cada um dos assuntos. Nos debates de candidatos à Presidência que me lembro de ver no Brasil, nem sempre era fácil diferenciar as propostas e posições de cada candidato sobre os temas da eleição, tamanha a ambiguidade dos discursos eleitorais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Conversando com alguns amigos britânicos, ouvi deles que a maior dificuldade dos eleitores aqui não é identificar claramente as ideologias de cada um, mas sim achar o &quot;candidato perfeito&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ou seja, achar o candidato que o eleitor julga ser mais compatível com suas ideias nos principais temas - economia, impostos, Afeganistão e Iraque, União Europeia e imigração. Nick Clegg e Gordon Brown, por exemplo, têm posturas mais comuns entre si do que David Cameron quando o assunto é integração britânica na União Europeia. Mas sobre o programa nuclear britânico, Brown está mais próximo de Cameron. O problema de se achar o candidato ideal, para meus amigos britânicos, é quase matemático: quem somar mais pontos ganha o voto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outra particularidade daqui é a dificuldade de se escolher entre interesses locais das nacionais. Na hora de votar, o eleitor escolhe apenas o político que representará o seu distrito no Parlamento, cabendo ao Legislativo depois escolher o primeiro-ministro. O partido com maioria elege o primeiro-ministro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em alguns casos, o eleitor pode ficar diante de um dilema, se ele tiver simpatia pelo candidato a primeiro-ministro de um partido, mas não gostar do candidato ao Parlamento que representa aquele partido no seu distrito.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por fim, um elemento raro desta disputa eleitoral é a imprevisibilidade. A cada semana, as projeções de resultados mudam, e hoje, a uma semana do pleito, não há indícios claros do que vai acontecer. Aliás, o voto não é obrigatório, então não se sabe nem exatamente quantos eleitores terão disposição para ir às urnas na quinta-feira, dia 6 de maio.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 16:18:10 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Verdadeiramente ilhados</title>
	<description>&lt;p&gt;Costumo dizer que viajar de avião é uma dessas situações únicas em que não temos controle nenhum sobre nossas vidas. Somos obrigados a cumprir com horários e regras, nos deixamos levar por ordens das mais descabidas, perdemos nossos pertences de vista e, finalmente, confiamos nossa existência a ilustres desconhecidos, que, como nós, alguns dias estão de bem com seus trabalhos, outros dias nem tanto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;heathrow226d.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/heathrow226d.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Diante disso, não ajuda nada o fato de a Grã-Bretanha ser uma ilha. Avião aqui não só é a maneira mais rápida de se chegar a outros países, como também é a mais prática e a mais barata.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Basta, então, fazer a matemática. Ter que viajar de avião + não ter controle sobre a viagem = virar refém do que os outros querem e decidem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E agora as autoridades britânicas decidiram que as cinzas lançadas por um vulcão na Islândia representam um risco para os aviões. Ninguém entra, ninguém sai.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu pai, que voltaria a Londres ontem à noite após um giro pelo Leste Europeu, não entrou. Meu marido, que partiria para o sul da França a trabalho, não saiu.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se fosse só isso, estava razoável. Mas ambos perderam a quinta-feira tentando achar caminhos alternativos para chegar onde precisavam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu pai, entusiasta de aviões, aviação e companhias aéreas, estava lidando com a situação calmamente. Depois de uma viagem de quatro horas de Praga a Berlim, foi até o aeroporto da capital alemã, onde descobriu que só conseguiria embarcar no sábado. Ele ainda tentou achar voos e trens para Paris ou Bruxelas, mas estava tudo lotado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu marido, que já sobreviveu a um pouso de emergência e, obviamente, odeia voar, está até hoje inconformado. Tinha uma passagem de uma companhia aérea low-cost, cujos website e linhas telefônicas não funcionavam para que ele pudesse remarcar seu voo. Quando finalmente conseguiu, não havia mais lugares para nenhum dia até a segunda-feira, quando já teria que estar na França para dar uma palestra de manhã cedo. A opção de ir de trem se dificultou por uma greve geral dos ferroviários franceses e pelas poucas passagens a preços até quatro vezes mais altos que o normal. A saída foi simplesmente desistir.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Eu, por tabela, estou sofrendo também. Agora que a nuvem de cinzas está chegando à Alemanha, começo a duvidar se meu pai estará aqui para o almoço de domingo. Ou pior: para o voo que parte para o Brasil na terça-feira que vem. Meu marido, ao ter de cancelar a palestra, praticamente fechou a porta para uma importante colaboração em sua carreira.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sei que o fenômeno das cinzas pegou a Europa toda de surpresa, e que não voar é uma decisão crucial para a segurança dos passageiros. Mas o que me impressiona é como os aviões ainda estão submetidos às chamadas &quot;forças da natureza&quot; - e como nós dependemos cada vez mais deles.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/04/verdadeiramente_ilhados.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 16 Apr 2010 13:27:32 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>O metrô nosso de cada dia</title>
	<description>&lt;p&gt;O metrô de Londres, ou &quot;tube&quot;, como é carinhosamente chamado na cidade, é presença constante na vida dos moradores da cidade. Com um dos sistemas mais movimentados do mundo, ele transporta cerca de um bilhão de passageiros por ano. Não é a toa que, na hora do rush, ele se assemelha muito a uma lata de sardinhas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas apesar da lotação, o metrô é a verdadeira mão na roda para quem quer chegar a algum lugar. Com 270 estações, ele chega a quase todos os cantos da grande Londres e, onde não chega, em geral tem uma conexão por ônibus ou trem.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tudo isso é bom, mas para mim, a melhor coisa do metrô é olhar as pessoas e o modo como elas tomam conta do espaço. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Dependendo do horário, o público é completamente diferente. Os engravatados da manhã, classes inteiras de escola primária com suas professoras durante a tarde, os bêbados depois da happy hour, os festeiros da noite... todos circulam, em geral, com um livro ou jornal na mão e sem olhar uns para os outros. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;tube226.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/tube226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Alguns anos atrás, o prefeito de Londres, Boris Johnson, chegou a proibir o consumo de bebidas alcóolicas a bordo e, na véspera da decisão entrar em vigor, os mais animados convocaram uma mega festa, conclamando todos a comparecerem com suas latinhas de cerveja nos vagões!&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nos fins de semana, o cenário muda, com os turistas tomando conta. Eu já vi gente sem sapato e cheio de ressaca, voltando para casa no sábado de manhã (os trens param de circular por volta da meia noite, deixando muita gente &quot;de castigo&quot;). Uma delas, inclusive, dormia enconstada na parede, chupando o dedo... &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também já vi casais de black tie indo para a Ópera e eu mesma já peguei o tube toda embecada para ir a um casamento. Isso tudo convive com os cachorros citados pela Maria Luisa Cavalcanti (sim, eles também andam de metrô), os mendigos que pedem esmolas nas escadas, os ativistas fazendo campanha, os corredores de qualquer maratona realizada na cidade e os torcedores de praticamente todos os times de futebol.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ouve-se tudo quanto é língua, não só de turistas mas também de muitos moradores desta cidade tão multi-cultural e acompanhar as conversas em português de outros lusófonos desavisados é uma das minhas diversões prediletas. Até cantadas já vi, e não é para menos. Com tanta gente circulando todos os dias, numa proximidade maior do que o comum, a brecha se abre...&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Além dos passageiros, no entanto, os motoristas também ocupam seu espaço. Pelo alto-falante, eles tentam botar ordem na turba, com o fino humor britânico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outro dia, um passageiro foi envergonhado em público, por segurar a porta do trem. Do sistema de alto-falantes veio a voz: &quot;por favor, você que está segurando a porta, largue-a. Você está botando a segurança do trem em risco e não nos deixa sair do lugar&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A frustração também vem à tona, como no dia em que uma estação estava fechada e o motorista anunciou, visivelmente irritado: &quot;Sinto muito em informar que a próxima estação está fechada e não vamos parar nela. Sei o quão frustrante é saber disso apenas na última hora, e também não consigo entender por que ninguém avisou a gente antes&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Num dos momentos &quot;lata de sardinha&quot;, o comentário veio, com voz calma e paciente: &quot;Por favor, senhores passageiros, queiram se mover para onde há espaço dentro do vagão. E não tenham medo, um estranho é apenas um amigo que você ainda não conheceu&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É nessas horas que os passageiros, normalmente ensimesmados, de repente se olham e riem juntos da piada... e aí rola de novo a brecha.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Portanto, a dica é: se vier a Londres, na hora de pegar o metrô (que você certamente vai pegar), não faça como os passageiros de sempre e olhe bem em volta. Tem sempre uma cena divertida. Se você já tiver presenciado, envie para a gente sua história!&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Babeth Bettencourt </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/03/o_metro_nosso_de_cada_dia.shtml</link>
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	<category></category>
	<pubDate>Tue, 30 Mar 2010 14:52:40 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Londres no País das Maravilhas</title>
	<description>&lt;p&gt;Que Oscar, que nada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste fim-de-semana, o filme que deve dar o que falar aqui em Londres é &lt;em&gt;Alice no País das Maravilhas&lt;/em&gt;, do cineasta Tim Burton.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Não só porque a fita estreia nesta sexta-feira. Além dos cinemas, também teatros, museus, lojas, restaurantes e até casas noturnas da cidade prepararam eventos especiais sobre o tema.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;alice283.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/alice283.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;283&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um dos mais pitorescos é o Chá da Tarde do Chapeleiro Maluco, servido no luxuoso Sanderson Hotel até o fim deste mês. Os chefs prometem um &quot;twist&quot; no tradicional chá britânico, com bolinhos da Rainha de Copas, pirulitos de abacaxi que mudam de temperatura na boca e picolés que explodem ao tocar a língua.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Neste fim-de-semana, clubs organizam festas em que só entra quem for a caráter (concursos de chapéus e &quot;melhores Alices&quot; serão inevitáveis). E até o centro cultural Barbican vai fazer uma balada mais cedo, também dedicada ao mundo criado por Lewis Carroll.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os fãs de carteirinha da obra podem ver o manuscrito original do autor, datado de 1862, em exibição na British Library até o mês de junho. Também estão expostos ali croquis originais dos figurinos de Colleen Atwood para o filme de Tim Burton, diários de Lewis Carroll e desenhos de Salvador Dalí sobre o livro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;em&gt;Alice no País das Maravilhas&lt;/em&gt; também inspirou as vitrines da cidade, com roupas, acessórios e peças de decoração abusando das cores fortes e dos naipes do baralho. A mega loja de departamentos Selfridges dedica até uma sala especial para os artigos à venda, como um novo perfume assinado por Alice Temperley e joias criadas por Stella McCartney.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É difícil prever quanto tempo a febre vai durar. Mas Londres parece estar gostando de ter alguns dias fora do comum.  &lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/03/londres_no_pais_das_maravilhas.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 12:15:21 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Minhas duas eleições</title>
	<description>&lt;p&gt;Como cidadã com dupla nacionalidade, estou me vendo neste ano em uma situação peculiar: votar em duas grandes eleições para escolher os líderes dos meus países.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Coincidentemente, esses dois países vão às urnas para decidir se dão continuidade aos muitos anos de mandatos da esquerda ou se preferem ver mudanças no poder.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Também nos dois, a corrida eleitoral já começou há tempos, com os pré-candidatos fazendo suas campanhas, os institutos de pesquisa oferecendo simulações dos resultados, os analistas políticos traçando este ou aquele cenário.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas as semelhanças param por aqui.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No Brasil, por mais desanimada que seja uma campanha, não há como fugir dela: temos propaganda eleitoral gratuita, cartazes e pixações, conversas na padaria e na fila do ônibus, gente fazendo boca-de-urna, carreatas. De alguma maneira ou de outra, você vai acabar falando de política.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aqui na Grã-Bretanha não tem nada disso. Uma pessoa não muito interessada em política pode passar à margem do assunto e ir tocando a vida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Para o eleitor britânico, o sinal da proximidade de uma votação é uma carta que o registro eleitoral manda para confirmar que naquele endereço há &lt;em&gt;x&lt;/em&gt; pessoas habilitadas a votar. Eles aproveitam e perguntam também se você quer votar por correio.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Agora, com as eleições parlamentares previstas para maio, tenho recebido folhetos e mais folhetos dos candidatos da minha &quot;constituency&quot; (ou distrito eleitoral, que no meu caso engloba dois bairros do norte de Londres). Eles dizem o que conseguiram fazer pela comunidade local nos últimos anos e o que querem fazer se forem eleitos. O candidato conservador do meu bairro aproveitou também para dizer que ele é o único capaz de derrotar a atual MP trabalhista.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os possíveis novos primeiros-ministros, o atual Gordon Brown e o rival David Cameron, dão entrevistas a vários órgãos de imprensa, rodam o país para fazer o &quot;corpo a corpo&quot; com o eleitorado, dão opinião sobre tudo. Pela primeira vez na história, farão um debate frente a frente. Mas o clima de &quot;já ganhou&quot; dos conservadores esvazia a eleição britânica de emoções.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O voto aqui não é obrigatório e eu, que saí do Brasil há tantos anos, poderia fazer como várias pessoas que conheço e simplesmente justificar minha ausência.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas como filha de pais que só votaram pela primeira vez aos 45 anos, estou contente de poder votar em dose dupla.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O chato daqui vai ser mandar minha escolha pelo correio, sem aquela emoção de ir até a seção eleitoral e digitar o voto na urna, dar uma olhada no movimento, ouvir o que as pessoas estão dizendo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda bem que no fim do ano, tenho meu dia de ir à embaixada brasileira. A fila em 2006 foi bem maior que em 2002, e este ano acho que vai estar ainda maior. Mas tudo bem, compenso nas barracas de pastel montadas por ali.&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/02/minhas_duas_eleicoes.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 26 Feb 2010 16:29:18 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Próxima estação: pronto-socorro?</title>
	<description>&lt;p&gt;Desde que virei mãe, passei a fazer parte de um pequeno exército que luta por um espaço de 1 x 2 metros no canto dos ônibus.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De um lado, nós, andarilhas munidas de nossos carrinhos e nossos bebês, geralmente sobrecarregadas de sacolas de supermercado, brinquedos, bolsa de fraldas e nossos próprios pertences. Do outro, senhoras com seus carrinhos de feira, estudantes com malas, outras mães com dois ou três filhos grandes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;metrodentro226.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/metrodentro226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Recentemente, comecei a perceber a presença de outros combatentes. Estes, armados pesadamente, desequilibrando a guerra: os donos de cachorro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pelas regras, eles deveriam ocupar esse tal canto, sem deixar seus bichos sentarem nos bancos nem obstruírem as portas. Mas diante da competição ferrenha, muitos desistem da disputa e levam os animais para o andar de cima ou para o &quot;fundão&quot;. Ali se esparramam e deixam, sim, os cães colocarem as quatro patas nas cadeiras.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E não é só nos ônibus que eles andam. Já vi cachorro no metrô e nos trens, em uma situação que para mim é ainda mais intimidadora: e se, entre uma estação e outra, naquele vagão hermeticamente fechado, o bicho resolve ter um chilique?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pedi ao Transport for London, que administra toda a rede de transporte público da cidade, mais informações sobre a permissão para cachorros como passageiros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Segundo a empresa, os bichos têm que estar presos pela coleira e não podem se sentar nos bancos. Além disso, qualquer funcionário, motorista ou condutor tem autoridade para recusar um cachorro a bordo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A Transport for London diz ainda que em bilhões de viagens realizadas a cada ano no metrô, os incidentes são raros, com &quot;apenas quatro pessoas mordidas desde 2007&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na prática, no entanto, parece que não é bem assim. Não é preciso ser mordido para que a experiência seja traumática. Uma rápida conversa com os colegas aqui da BBC Brasil mostrou que, como eu, ninguém se sente à vontade com os cachorros no transporte público. E você?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/02/desde_que_virei_mae_passei.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Mon, 08 Feb 2010 15:27:18 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Haiti mobiliza britânicos e até os &quot;amantes do vinho&quot;</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;haiti.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/haiti.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;A levar em conta o envolvimento do Brasil no Haiti, imagino que a terrível notícia do terremoto em Porto Príncipe tenha corrido o país como fogo em rastro de pólvora. Mas por aqui, tenho a impressão de que o efeito foi um pouco retardado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;À parte os EUA e as ex-colônias britâncias do Caribe, o resto das Américas são, para a maior parte dos britânicos, um destino longínquo do globo.  O Haiti, um país pobre com forte ligação com a França em vez da Grã-Bretanha, não era diferente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um fato comentado aqui na redação, nos primeiros dias após a tragédia, as matérias sobre o Haiti continuavam sendo menos lidas do que as que falavam do Sudeste Asiático ou o Oriente Médio, apesar de a BBC martelar sobre o tema 24h por dia em seu noticiário. Aliás, a imprensa em geral.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas, parecia, a ficha simplesmente não tinha caído para o cidadão comum.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A coisa mudou ao longo da semana, à medida que os países se mobilizavam para prestar ajuda, os repórteres começavam a mandar material de Porto Príncipe e a agonia dos haitianos à espera de auxílio deixavam claras as dificuldades intrínsecas à tarefa de salvamento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No fim da semana,  o Haiti, a bem dizer, entrou no dia-a-dia de muita gente. Alguns amigos que conheço foram rápidos em doar recursos para a Cruz Vermelha, para quem até o governo britânico destinou a primeira parcela de US$ 10 milhões que foram prometidos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outras iniciativas de mobilização chegaram por vias, pelo menos para mim, inesperadas. Minha operadora de telefone, a Orange, enviou aos seus clientes uma mensagem à qual bastava responder para contribuir automaticamente com 2,5 libras (um pouco mais de R$ 7) para os esforços da Unicef no Haiti.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O site TripAdvisor, de viagens e turismo, repassou um email a todos os seus usuários ensinando como e para quem doar fundos. Como o britânico é uma subseção do americano, imagino que algo semelhante tenha ocorrido do outro lado do Atlântico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;E a mais original das mobilizações que eu vi até agora está se dando através de um site de vinhos, o Wineloverspage.com, que na verdade também é americano.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
O proprietário do site organizou uma rifa na qual, para entrar, é preciso doar pelo menos US$ 30  para alguma organização humanitária diretamente envolvida na assistência às vítimas.  Segundo o site, uma iniciativa semelhante na época do furacão Katrina, que destruiu Nova Orleans, levantou mais de US$ 10 mil.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os participantes da rifa concorrem a sensacionais garrafas de Bordeaux das últimas quatro décadas (uma garrafa de cada década, de 1970 aos anos 2000) mantidas pelo proprietário em sua adega. &quot;Vamos sair um pouco do agradável mundo do vinho para incentivar os apreciadores a ajudar o Haiti&quot;, diz o email.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Na prática, grande parte dos amantes do vinho não apenas estão doando muito mais do que US$ 30 por cabeça - a maioria creio já ter gasto mais que isso em uma garrafa de vinho - como também adicionando suas próprias garrafas à rifa, criando prêmios secundários, terciários, etc, para atrair mais contribuições.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;São iniciativas pequenas, mas de coração, ou pelo menos me parecem. Ainda mais significativa porque quem acompanhava a lenta melhora em alguns indicadores do Haiti após tantos anos de conflitos políticos não pôde deixar de se comover. Por que logo o Haiti? E por que algo tão devastador?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sensação bem resumida pela revista &lt;i&gt;Economist&lt;/i&gt;, que não é nem um pouco dada a dramaticidades: &quot;Se há um país nas Américas que não pode se permitir sofrer um desastre natural, é o pobre e politicamente frágil Haiti&quot;, escreveu a revista.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&quot;No entanto, o terremoto que atingiu Porto Príncipe pouco antes das 5h da tarde do dia 12 de janeiro foi um golpe ainda mais cruel.&quot;&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Pablo Uchoa </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/01/o_haiti_e_a_mobilizacao_dos_br.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Sat, 16 Jan 2010 12:59:12 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Neve em Londres: transtorno para os pais</title>
	<description>&lt;p&gt;Como todo brasileiro, acho a neve uma coisa de outro planeta.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ainda me lembro da minha primeira neve em Londres, em 2003, quando eu e minha colega Flávia Nogueira (hoje na redação da BBC Brasil em São Paulo, curtindo a vida a dezenas de graus acima de zero) aproveitamos a hora do almoço e fomos fazer guerrinha de bolas de neve.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Uma surpresa para mim, no entanto, foi descobrir que os britânicos, como nós, também se deslumbram com a neve. É que os invernos por aqui costumam ser pouco frios, se comparados com outros países da Europa e com a América do Norte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;criancas.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/criancas.jpg&quot; width=&quot;452&quot; height=&quot;340&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por isso mesmo, a Grã-Bretanha não se prepara para lidar com a neve. Os governos nacionais e locais dizem que não vale a pena investir em recursos como limpeza das calçadas, melhoria dos transportes e tal, porque quase nunca neva. Mas quando ela vem, tudo vira um caos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/portuguese/noticias/2010/01/100107_friovideoebc.shtml&quot;&gt;A falta de transportes públicos, os bloqueios nas estradas, os acidentes&lt;/a&gt;, tudo isso tem sido tema de reportagens na BBC Brasil e aqui no London Talk.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas outro problema que tem afetado cada vez mais a mim e outros colegas da BBC Brasil aqui em Londres é o fechamento das escolas. Sim, porque agora a maioria das escolas simplesmente decidiu que não vai funcionar se houver neve e gelo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Quem depende de deixar filho na escola para poder ir trabalhar tem de faltar ao trabalho. E quem tem filho pequeno que ainda frequenta a creche, como eu, também tem que se ajustar porque os funcionários da creche têm filhos na escola e têm de faltar ao trabalho. Uma corrente de &quot;não posso ir porque não tenho onde deixar meu filho&quot;, entendeu?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O problema passou a atingir tanta gente que &lt;a href=&quot;http://news.bbc.co.uk/1/hi/education/8448262.stm&quot;&gt;as escolas foram bastante criticadas nestes últimos dias&lt;/a&gt;. E, com a previsão de que estamos tendo apenas uma amostra do que será este inverno, a única coisa que deve esquentar por aqui será este debate: o que dá às escolas o direito de simplesmente fechar e deixar tanta gente na mão?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pelo menos, nos fins de semana, dá para curtir o lado bom da neve. Guerreiros de bolinhas, me aguardem.&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2010/01/londres_abaixo_de_zero.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 08 Jan 2010 14:23:10 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Mais um dia de caos em Londres</title>
	<description>&lt;p&gt;Nunca deixo de me espantar com a falta de preparo de Londres contra a neve. A impressão que eu tenho é que qualquer neve, por menor que seja, já transforma a cidade em um cenário daqueles filmes de catástrofe, à la Hollywood.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No inverno passado, &lt;a href=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/portuguese/reporterbbc/story/2009/02/090202_grabretanhaneveml.shtml&quot;&gt;no dia 2 de fevereiro&lt;/a&gt;, a cidade ficou completamente paralisada pela neve que caiu durante a madrugada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;london226s.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/london226s.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;Naquela ocasião, todo o transporte público foi cancelado e apenas os serviços essenciais funcionaram. Grande parte das pessoas sequer saiu de casa. Justiça seja feita, aquela tinha sido a maior nevasca do sudeste da Grã-Bretanha em 18 anos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nesta segunda-feira, a neve voltou a parar a cidade. Desta vez, caiu muito menos neve, mas novamente o estrago foi enorme. Acho que talvez tenha sido até um pouco pior do que a nevasca histórica, pois ela caiu à tarde, quando muitas pessoas já estavam no trabalho e não tiveram a opção de ficar em casa. À noite, as ruas estavam tomadas de pessoas querendo voltar para casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Saí do trabalho às 19h30 de ontem e fui tentar pegar o ônibus. Antes de sair, consultei o site da secretaria de Transportes de Londres que, naquela hora, informou que quase tudo estava funcionando normalmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Informação completamente falsa. Ao sair, a primeira parada que vi no centro da cidade tinha, no mínimo, 70 pessoas aglomeradas à espera do ônibus. Na rua, pouquíssimos carros circulavam.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Resolvi não perder tempo e comecei a caminhar os seis quilômetros que separam o trabalho da minha casa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;No trecho inicial, perto do rio Tâmisa, o que vi foram centenas de pessoas nas paradas de ônibus - inclusive vários idosos, gestantes e pessoas com cadeiras de roda, sem opção para chegar em casa e aguentando temperaturas próximas de zero. Os poucos táxis que circulavam já estavam ocupados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aqueles que, como eu, se aventuraram pelas ruas, tiveram que combinar a caminhada com patinação, já que várias calçadas ficaram cobertas com uma fina camada de gelo. Cheguei ileso em casa, mas vi quatro tombos ao longo do caminho.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;eurostar226s.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/eurostar226s.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;283&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;No trecho mais próximo da minha casa, o cenário era o inverso. O congestionamento de carros e ônibus era quilométrico e as paradas estavam vazias. Ultrapassei mais de 15 ônibus a pé. A maioria não transportava passageiros, já que as pessoas perceberam que caminhar seria mais rápido. Nas calçadas, uma romaria de pedestres se juntou a mim.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Próximo da minha casa, todas as ruas estavam paradas devido a um grave acidente de carro. Na minha rua, vi três carros deslizando lentamente pelo gelo, completamente sem controle. Por sorte (ou milagre) ninguém se machucou nesse perigoso balé.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Só fui ter a dimensão real do caos na cidade quando - ao chegar em casa após uma hora e meia de &quot;patinação no gelo cross-country&quot; - vi pela televisão as notícias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Alguns aeroportos fecharam; a British Airways cancelou 24 de 27 voos em Heathrow. Estradas na capital ficaram paradas - primeiro devido ao congestionamento causado pela neve e depois devido às centenas de carros que foram abandonados em plena pista (as autoridades pediram para os motoristas deixarem bilhetes com seus telefones no vidro do carro).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O Eurostar - serviço de trem entre Paris e Londres - está parado desde a semana passada, também devido a um problema relacionado à neve. O clima na estação de St. Pancras, de onde partem os trens, é de desespero e revolta popular.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Meu prejuízo foi pequeno até. Em vez dos 50 minutos que levo geralmente de ônibus ou bicicleta até a minha casa, precisei de uma hora e meia. Para outros colegas aqui da BBC Brasil, o drama foi maior. Alguns precisaram de mais de duas horas - mais do que o dobro do tempo normal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por que a cidade para assim? A impressão que eu tenho é que ninguém sabe explicar com certeza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Um motivo comum apontado pela imprensa é a falta de caminhões de neve - que desobstruem as estradas e espalham sal e areia para aumentar o atrito nas pistas. Uma repórter da TV disse ter andado dezenas de quilômetros em Londres e visto apenas um caminhão em toda a cidade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;É incrível que a cidade fique nesse estado por tão pouco. A neve que caiu ontem não foi nada de extraordinário. &lt;a href=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/esporte/2009/12/o_bairro_pobre_e_a_olimpiada.shtml&quot;&gt;Uma cidade que está investindo tanto para receber as Olimpíadas em 2012&lt;/a&gt; - que acontecerão no verão - talvez pudesse pensar um pouco também na sua infra-estrutura para aguentar o inverno.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;london2_466.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/london2_466.jpg&quot; width=&quot;466&quot; height=&quot;262&quot; class=&quot;mt-image-center&quot; style=&quot;text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/12/mais_um_dia_de_caos_em_londres.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/12/mais_um_dia_de_caos_em_londres.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Tue, 22 Dec 2009 13:41:38 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Bibliotecas públicas e a voz da comunidade</title>
	<description>&lt;p&gt;Esses dias eu percebi que um hábito de consumo meu mudou muito desde que me mudei para Londres. Eu praticamente parei de comprar livros aqui. Neste ano, só comprei dois livros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;library226.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/library226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-none&quot; style=&quot;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;No entanto, 2009 foi um ano em que li vários livros - de clássicos a lançamentos recentes. O motivo disso são as excelentes bibliotecas públicas de Londres. É difícil achar defeitos nas bibliotecas daqui. Os catálogos são atualizadíssimos, quase sempre com várias cópias dos últimos lançamentos do mercado. Os prazos são flexíveis (três semanas por livro), com multas baixas e possibilidade de renovação pela internet.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Caso você não encontre um livro na sua biblioteca, mas que está disponível em outra do mesmo bairro, é possível encomendá-lo via internet para que ele seja retirado na biblioteca mais próxima da sua casa. Eu, que moro na fronteira de dois bairros de Londres - Lambeth e Southwark -, ainda tenho a vantagem de poder explorar os catálogos dos dois bairros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Isso sem falar no vasto catálogo de CDs e DVDs, que são alugados a baixos preços. Isso explica por que há tão poucas locadoras de filmes em Londres. É impossível competir com a biblioteca pública.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Além disso, as bibliotecas se esforçam para unir pessoas de interesses comuns na comunidade. Há mais de um ano, minha esposa e eu estamos frequentando um grupo de leitores de quadrinhos. Nunca fui um grande fã das &quot;graphic novels&quot;, mas confesso que graças ao grupo conheci vários quadrinhos com qualidade superior a de muitos livros da literatura clássica, como a série &lt;em&gt;Love &amp; Rockets&lt;/em&gt;, dos irmãos Hernandez.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pois foi frequentando o grupo de quadrinhos que tive uma inusitada experiência de participação política nas decisões da comunidade daqui.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Há dois meses, os administradores das bibliotecas de Lambeth decidiram encerrar as atividades do grupo de quadrinhos do qual eu participo. Na visão deles, não havia necessidade de pagar hora extra para o funcionário que organizava os encontros. As reuniões acontecem uma vez por mês às 19h30, o único horário possível para quem trabalha durante o dia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nós não aceitamos uma possível troca de horário e o funcionário disse que, nesse caso, não havia nada que ele pudesse fazer para salvar o grupo, que teria de ser encerrado. Mas ele sugeriu que nós, os usuários do serviço, poderíamos enviar cartas e e-mails para protestar contra a decisão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Depois de três e-mails enviados, a biblioteca recuou da decisão e optou por continuar com o encontro no horário marcado, arcando com os custos de se manter as reuniões naquele horário.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Ficamos contentes com a decisão, porque o grupo faz um trabalho de alta qualidade ao longo dos últimos quatro anos e com grande participação de pessoas da comunidade. Com ajuda de outros grupos de quadrinhos de Londres, já recebemos a visita de ilustradores famosos, como Kevin O'Neill, da &lt;em&gt;Liga de Cavalheiros Extraordinários&lt;/em&gt;, e D'Israeli, de &lt;em&gt;Scarlet Traces&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fiquei pensando que algumas experiências da Grã-Bretanha eu gostaria muito de poder exportar para o Brasil. Uma delas é o acesso gratuito ou com baixo preço a livros, discos e filmes para todos - tudo com dinheiro público. A outra é a de ter a minha voz ouvida nas decisões da comunidade, por menores e mais irrelevantes que elas possam parecer para os demais.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/12/bibliotecas_publicas_e_a_voz_d.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/12/bibliotecas_publicas_e_a_voz_d.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 12:02:43 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Chegou o Natal</title>
	<description>&lt;p&gt;Passei três semanas de férias no Brasil, mas parece que fiquei anos fora de Londres. Encontrei a cidade gelada, com temperaturas abaixo dos 10ºC, escura pela proximidade do solstício de inverno, e já começando a ser tomada pelo Natal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;natal226d.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/natal226d.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;283&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;De início, pensei que algumas lojas estavam apenas tentando começar suas vendas mais cedo, diante da crise que persiste. Mas uma rápida olhada no noticiário me fez ver que o período das festas já foi, sim, oficialmente inaugurado na cidade. Na terça-feira, por exemplo, foi instalada a decoração natalina da Oxford Street, a principal rua comercial de Londres.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Reparei então que alguns restaurantes também já colocaram na porta cartazes se oferecendo para sediar as comemorações de fim de ano dos escritórios. Na &lt;em&gt;Time Out&lt;/em&gt;, a Bíblia cultural da cidade, já estão listados os programas natalinos mais bacanas para se fazer, entre eles o balé &lt;em&gt;Quebra-Nozes&lt;/em&gt;, o musical &lt;em&gt;Snowman&lt;/em&gt;, as &lt;em&gt;frost-fairs &lt;/em&gt;(tradicionais mercados natalinos) e os inúmeros ringues de patinação no gelo. Nas redes Prêt-a-Manger e Starbucks, o menu ganhou um tom &quot;invernoso&quot;, com a entrada dos cafés com biscoito de gengibre e as típicas &lt;em&gt;mince pies&lt;/em&gt;, aquelas tortinhas recheadas de frutas cristalizadas. Até os copos eles mudaram - os desta estação são decorados com floquinhos de neve.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Achei que tudo não passasse da mania britânica de planejar tudo com muita antecedência. Até ver que meus colegas aqui da BBC Brasil já estão em grandes preparativos para uma confraternização.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Fui vencida. Pelos próximos dois meses, respiremos Natal...&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Maria Luisa Cavalcanti </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/11/chegou_o_natal.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/11/chegou_o_natal.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 06 Nov 2009 15:11:55 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Um bom negócio é a melhor forma de arte</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;warhol226.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/warhol226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Andy Warhol dizia que ganhar dinheiro é arte, e que um bom negócio é a melhor forma de arte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esse polêmico ponto de vista é o que está em cartaz aqui em Londres, na galeria Tate Modern. No começo do mês, fui conferir a exposição &lt;em&gt;Pop Life: Art in a Material World&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A exposição é uma retrospectiva de obras que desde o século passado provocam as reações mais extremas - admiração de outros artistas, mal-estar entre alguns críticos e, principalmente, rombos milionários nos bolsos de colecionadores de arte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A exposição gerou polêmica até mesmo antes de abrir ao público, com direito a visita da &lt;a href=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/portuguese/noticias/2009/10/091001_brooke_dg.shtml&quot;&gt;Scotland Yard&lt;/a&gt; e tudo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em cartaz, vi algumas coisas que eu nunca esperaria ver em um museu ou galeria de arte. Alguns exemplos:&lt;/p&gt;

&lt;ul&gt;
	&lt;li&gt;uma sala inteira é dedicada às obras que o americano Jeff Koons criou logo após seu casamento com Ilona Staller, a famosa ex-atriz pornô italiana Cicciolina. São esculturas e pinturas de sexo explícito entre os dois. Koons sabia da curiosidade que o casamento entre um artista renomado e uma controversa estrela pornô, ocorrido em 1991, despertou na mídia, e tratou de se aproveitar disso para ganhar dinheiro.&lt;/li&gt;

&lt;p&gt;&lt;li&gt;a americana Andrea Fraser ultrapassou qualquer limite de prostituição da arte ou do artista. Em 2003, ela ofereceu-se para gravar um vídeo de uma hora de duração para o colecionador que oferecesse o melhor preço. Detalhe: o vídeo é da artista transando com o colecionador, que pagou US$ 20 mil pela obra, agora exposta no Tate.&lt;/li&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;li&gt;se um bom negócio é a melhor arte, o britânico Damien Hirst é provavelmente o maior artista vivo. Em setembro de 2008, mês do estopim da crise financeira mundial, um leilão de obras de Hirst arrecadou 95 milhões de libras (mais de R$ 260 milhões). Na exposição no Tate Modern, Hirst recriou algumas obras suas - como a famosa False Idol (foto) - mas com novos detalhes em puro ouro. Hirst confessa na exposição que o único objetivo do ouro é encarecer suas obras ainda mais junto aos colecionadores.&lt;/li&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;false_idol466.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/false_idol466.jpg&quot; width=&quot;466&quot; height=&quot;262&quot; class=&quot;mt-image-center&quot; style=&quot;text-align: center; display: block; margin: 0 auto 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;li&gt;um vídeo com a participação de Andy Warhol no breguíssimo seriado Barco do Amor, em 1985. No episódio, Warhol interpreta a si mesmo. Ele é convidado por um cruzeiro a escolher um dos tripulantes e imortalizá-lo como obra de arte, em um retrato. A participação de Andy Warhol tem dois objetivos: promover o artista (e encarecer sua obra) e brincar com a sua crescente reputação de exibicionista, que faz tudo pela fama.&lt;/li&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/ul&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Será que um bom negócio é mesmo arte? Eu mesmo ainda não tenho certeza, mas não tenho dúvidas de que arte ou negócio formaram uma exposição espetacular e imperdível.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/10/um_bom_negocio_e_a_melhor_form.shtml</link>
	<guid>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/10/um_bom_negocio_e_a_melhor_form.shtml</guid>
	<category>london</category>
	<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 13:20:28 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Tricô, restaurante e gorros personalizados</title>
	<description>&lt;p&gt;&lt;br /&gt;
Ver um grupo de mulheres jovens tricotando (literalmente) em algum café ou livraria não é uma visão comum no Rio de Janeiro.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Por isso, fiquei espantada, aqui em Londres, todas as vezes em que me deparei com garotas &quot;cool&quot;, moderninhas, sacando da bolsa agulhas e novelos enquanto conversam com as amigas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;fifteen300.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/fifteen300.jpg&quot; width=&quot;300&quot; height=&quot;200&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Tudo bem que o clima carioca não ajuda. Calor e roupas de lã não combinam muito. Mas eu sempre associei tricô a senhoras fofas, como a minha avó, tricoteira de mão de cheia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O fato é que aqui, tricô é moda. Há &lt;a href=&quot;http://www.stitchandbitchlondon.co.uk/&quot;&gt;grupos organizados&lt;/a&gt; que aceitam integrantes a partir dos 16 anos e se encontram semanalmente no centro de Londres para tricotar e fofocar. E elas ensinam de graça a quem quiser aprender.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Outra prova do sucesso do tricô feito a mão na Grã-Bretanha é o &lt;a href=&quot;http://www.granniesinc.co.uk/&quot;&gt;Grannies Inc&lt;/a&gt;., uma loja online idealizada por Katie Mowat, de 27 anos, que vende gorros personalizados, feitos de acordo com o desenho do cliente. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Em entrevista ao jornal britânico &lt;em&gt;Telegraph&lt;/em&gt;, Mowat disse que aprendeu a fazer tricô durante o ano que passou estudando na Califórnia. Parece que a coisa é moda nos Estados Unidos também.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&quot;Eu dividia um apartamento com quatro meninas e todas elas tricotavam no tempo livre. Havia gente tricotando nos ônibus, nas salas de aula. Julia Roberts estava tricotando, até o Russell Crowe&quot;, disse ela.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O último adepto é o chef de cozinha e celebridade internacional Jamie Oliver. Bem, não literalmente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O restaurante que ele criou em Londres para treinar jovens cozinheiros, o &lt;a href=&quot;http://www.fifteenshop.net/engine/shop/index.html&quot;&gt;Fifteen&lt;/a&gt;, acaba de colocar à venda, em edição limitada, um kit de tricô (foto).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;A ideia foi uma forma de aproveitar a lã dos carneiros que são servidos, depois de maravilhosamente preparados, no restaurante. E bem a tempo para o natal.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Iracema Sodre </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/10/_ver_um_grupo_de.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 17:07:16 +0000</pubDate>
</item>

<item>
	<title>Eleições e crise</title>
	<description>&lt;p&gt;Um país cujo poder econômico cresceu nos últimos anos e que enfrentará desafios enormes no futuro próximo irá às urnas em 2010 para decidir se dará mais um mandato ao partido que está há anos no poder ou se optará por mudanças no governo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Poderíamos estar falando do Brasil, mas o país em questão é a Grã-Bretanha. Como o Brasil, com os oito anos do PT no poder, a Grã-Bretanha também está passando por uma era da esquerda no poder. Foram doze anos de Partido Trabalhista - dez com Tony Blair e dois com Gordon Brown.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;brown_cameron226.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/brown_cameron226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas o paralelo entre os dois países para por aí. Ao contrário do Brasil, que parece já ter deixado a recessão para trás e realizará eleições em meio a um razoável otimismo econômico, a Grã-Bretanha irá para as urnas diante de sérios problemas na economia, como consequência da crise financeira mundial. Esta semana, &lt;a href=&quot;http://news.bbc.co.uk/1/hi/business/8292958.stm&quot;&gt;um instituto indicou que a economia da Grã-Bretanha continua parada&lt;/a&gt;, ao contrário de algumas previsões de que haveria uma lenta retomada do crescimento.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estou impressionado como é nítido o efeito da crise no dia a dia em Londres. Vários amigos meus que moram aqui, de diversas nacionalidades, estão passando por algum tipo de dificuldade. Os que têm negócios próprios lutam para manter seus clientes e orçamentos. Os que são empregados estão vendo setores inteiros fecharem nas suas empresas, rezando para que não sejam o próximo nome na planilha de cortes. E os desempregados sobrevivem como podem, com cada vez menos oportunidades de inserção no mercado de trabalho e uma concorrência mais qualificada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esse cenário econômico sombrio está refletido no discurso dos políticos que estão concorrendo pelo poder. Para a imprensa britânica, esta é a eleição da &quot;big choice&quot;, a grande escolha. Mas a grande escolha a ser feita parece ser apenas o tamanho dos cortes. Ambos os principais partidos - o Trabalhista, de Gordon Brown, e o Conservador, de David Cameron - prometem reduzir os gastos públicos para evitar que o endividamento do governo aumente ainda mais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Como sintetiza &lt;a href=&quot;http://www.economist.com/world/britain/displaystory.cfm?story_id=14540033&quot;&gt;a revista Economist&lt;/a&gt;, o &quot;principal debate não é mais 'investimentos trabalhistas contra cortes conservadores'; são cortes trabalhistas contra cortes conservadores'.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O efeito do discurso dos dois principais partidos é desanimador para a maioria das pessoas que eu conheço. Além de lutar por sua sobrevivência, muitos temem que a redução dos investimentos do governo acarretará em outros tipos de perdas. Haverá menos serviços prestados pelo sistema de saúde pública? A idade de aposentadoria subirá? A qualidade do ensino vai cair? Haverá menos empregos no setor público? E a parte do setor privado que depende de gastos públicos, como vai ficar? Teremos que pagar mais impostos?&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Claro que a Europa ainda está muito na frente do Brasil e da América Latina em diversos indicadores socioeconômicos. Não é à toa que imigrantes (muitos deles brasileiros) continuam vindo para Londres em busca de oportunidades, com crise ou sem crise. Mas este momento não deixa de ser um pouco irônico para mim, uma criança dos anos 80. Passei a minha infância na &quot;década perdida&quot; da América Latina. Agora, adulto, vejo de longe a América Latina crescendo economicamente e, aqui, a Europa diante de anos de crescimento lento e incertezas.&lt;br /&gt;
&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Daniel Gallas </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/10/eleicoes_e_crise.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Fri, 09 Oct 2009 20:11:10 +0000</pubDate>
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<item>
	<title>Licença paternidade</title>
	<description>&lt;p&gt;O governo britânico anunciou esta semana uma medida que está despertando reações acaloradas. A partir de abril de 2011, pais terão direito a licença paternidade de seis meses, três deles pagos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Atualmente, os pais têm direito a apenas duas semanas e, as mães, a até um ano. Com a nova lei, as mulheres poderão voltar ao trabalho seis meses após o nascimento do bebê e a partir daí os homens poderão exibir suas habilidades nas atividades que envolvem cuidar de um bebê que depende de você 24 horas por dia, como trocar fraldas, dar mamadeira, banho, colocar para dormir, etc.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;span class=&quot;mt-enclosure mt-enclosure-image&quot; style=&quot;display: inline;&quot;&gt;&lt;img alt=&quot;baby_crying226.jpg&quot; src=&quot;https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/baby_crying226.jpg&quot; width=&quot;226&quot; height=&quot;170&quot; class=&quot;mt-image-right&quot; style=&quot;float: right; margin: 0 0 20px 20px;&quot; /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;O benefício não é inédito e reproduz o que já acontece em países ainda mais avançados nessa área, como Dinamarca, Suécia e Noruega. E ainda reflete tempos modernos, em que as mulheres dão valor às suas carreiras e temem que o ano que passam fora do trabalho atrapalhe seu crescimento profissional.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Assim, elas podem voltar ao trabalho tranquilas, sabendo que seus bebês estão com o pai e não em uma creche disputando a atenção com outros ou com babás de procedência duvidosa. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Mas pesquisas do governo indicam que poucos homens parecem animados com a ideia de ficar em casa limpando bumbum de neném. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Estimativas prevêem que a adesão à medida, totalmente opcional, atrai apenas um em cada dez homens. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Alguns jornais britânicos reagiram ao anúncio do governo e um deles, o &lt;a href=&quot;http://www.telegraph.co.uk/comment/personal-view/6196220/Paternity-leave-Its-not-natural.html&quot;&gt;Daily Telegraph&lt;/a&gt;, publicou um artigo de opinião em que o autor diz que licença paternidade &quot;é algo contra a natureza masculina&quot;.&lt;br /&gt;
 &lt;br /&gt;
Eu achei a ideia o máximo e só lamento que quando ela entrar em vigor, o meu bebê, já encomendado, terá nascido. E você, o que acha?&lt;/p&gt;</description>
         <dc:creator>Fernanda Nidecker </dc:creator>
	<link>https://bbcbreakingnews.pages.dev/blogs/portuguese/london/2009/09/licenca_paternidade.shtml</link>
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	<category>london</category>
	<pubDate>Thu, 17 Sep 2009 16:56:25 +0000</pubDate>
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